A trajetória do chef Cipriano Medeiros

Nascido em Natal (RN) e criado na região do Seridó, na cidade de Jardim do Seridó, Cipriano Medeiros cresceu em meio aos costumes de uma família tradicional sertaneja, onde a comida sempre teve um papel central. Desde pequeno, a curiosidade sobre os sabores e preparos da culinária familiar o acompanhava, mesmo sem imaginar que, anos depois, essa paixão se tornaria sua profissão.

Filho de uma professora e de um cabeleireiro, Cipriano é o caçula de quatro irmãos e carrega o nome do avô, conhecido na região como Piano Cadete. Aos 14 anos, mudou-se para Natal, onde se destacou como atleta de futsal do América, atuando desde as categorias de base até o time adulto.

Formado em Administração de Empresas e com especialização em Gestão de Negócios, Cipriano construiu uma carreira diversificada em diferentes áreas. No entanto, sua paixão pela gastronomia sempre esteve presente, fosse reunindo amigos para cozinhar ou explorando novas técnicas culinárias. Em 2019, decidiu mergulhar de vez no universo da gastronomia, dedicando-se ao estudo de ingredientes, métodos e experiências sensoriais.

Hoje, Cipriano Medeiros é cozinheiro profissional formado pelo Senac/RN, instituição reconhecida pela abordagem prática na formação de chefs. Além disso, segue se aprimorando e atualmente cursa pós-graduação em Nutrição e Gastronomia pelo Senac/SP. Nesta entrevista, ele compartilha sua trajetória, inspirações e visão sobre a gastronomia.

Fotos: Tiago Jordão

·         Quais foram os maiores desafios que enfrentou no início da sua carreira?

O principal desafio foi entender tecnicamente a rotina de uma cozinha profissional, com controle de estoques, produção de bases nos pré-preparos e suas quantidades, comandar os pedidos, e a gestão da equipe. Esses fatores são primordiais para um bom andamento da cozinha.

·         Existe algum chef ou mentor que influenciou seu estilo culinário?

Tive a sorte de ter grandes chefes ao meu lado nesse caminho, além dos professores do Senac, aprendi muito com chef Walter Dantas, chef Marcelão e chef Thiago Gomes, os quais tenho um carinho e gratidão pelos ensinamentos e pelas trocas de experiências. Outro grande chef que admiro é o chef Rodrigo Mocotó, pernambucano e um dos maiores chefs do Brasil.

·         Quais são os ingredientes que você mais gosta de trabalhar e por quê?

Gosto de usar ingredientes da nossa flora e fauna, produtos locais, que são mais frescos, como a carne de sol, o camarão, o cajá, o caju e sua castanha, além de iguarias da Caatinga, como o chouriço. Esses produtos fazem parte da nossa raiz gastronômica e temos por obrigação de fomentar o seu consumo.

·         Como você cria um novo prato? Qual é o processo de desenvolvimento de receitas?

A criação de um prato demanda pesquisa, junção de sabores, texturas e cores, e a partir da necessidade do cliente ou do público, dou início a essa pesquisa. Depois de escolher os ingredientes e as técnicas de cocção, faço o croqui do prato numa folha e uso a criatividade para fazer sua montagem e apresentação final.

·         Qual é o prato que você mais gosta de cozinhar e por quê?

Paçoca de carne de sol, arroz da terra de leite e feijão macassar com manteiga da terra. Esse é o meu prato preferido de fazer e de comer. É um prato que me leva de volta a mesa da casa da minha avó, com meus irmãos e meus pais ao lado num belo almoço de domingo.

·         Como você se mantém atualizado sobre as tendências e inovações culinárias?

O conhecimento é contínuo, então vejo sempre o que os grandes chefes a nível mundial e Brasil estão fazendo de inovação, para manter-me atualizado. Além de pesquisas e testes de novas técnicas como gelificação, esferificação, espumas, molhos de novos sabores.

·         Há alguma história curiosa ou inesquecível que aconteceu na sua carreira?

Várias. Risos

Mas lembro muito bem do primeiro dia que comandei uma cozinha profissional, meu coração palpitava forte antes de iniciar o serviço, a minha pressão arterial subiu, mas depois controlei os sentimentos e conseguimos fazer o trabalho. Foi um dia de muita pressão, e que aprendi muito.

·         Que conselho você daria para quem deseja seguir carreira como chef?

O principal conselho que sempre dou aos que me perguntam é tenha disciplina, paixão e perseverança. Esqueça do glamour que se vê nos realities shows, a cozinha profissional é coisa séria, não tem final de semana, feriados livres. E além de saúde, a gastronomia mexe com os sentimentos das pessoas, os clientes sempre vão aos estabelecimentos com expectativas, e um descuido da cozinha pode levar tudo por água a baixo.

·         Depois de uma temporada morando fora de Natal, soube que está de volta. Quais são seus planos?

Passei uma temporada trabalhando em projetos em Alagoas, na Paraíba e no interior do Rio Grande do Norte. Agora estou de volta a Natal e já trabalhando em novos desafios, com projetos que em breve serão revelados.

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