Em tempos de juros altos, os empresários precisam estar atentos não só ao que vende, mas também ao perfil financeiro do consumidor e ao movimento da economia.
Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojista, CNDL em parceria com o SPC Brasil e a Offerwise confirma o que boa parte do comércio já sente na prática, o orçamento da população está apertado, e o poder de compra diminui cada vez mais. Qual o reflexo disso? Comércio parado e queda nas vendas.
Para combater uma crise é necessário conhecer a causa e propor soluções. Segundo o levantamento da Confederação, os vilões do orçamento familiar são: o cartão de crédito, responsável por 23% da inadimplência. Logo atrás aparecem os empréstimos bancários ou em financeiras (16%)e o velho conhecido crediário (12%). Sem esquecer as contas em atraso que geram juros que comprometem ainda mais as finanças das pessoas. Aqui os campeões em atraso são o cartão de crédito (15%), seguido pelas contas de água e luz (10%) e o cheque especial (9%)— este último mais comum entre as classes A e B.
O que o consumidor prioriza para pagar em dia?
Em tempos de orçamento curto, o brasileiro faz o que? Elege prioridades. No ranking das contas prioritárias a liderança é da internet com (73%), seguida por água e luz (68%) e telefone(65%). Os números comprovam nossa dependência com o mundo virtual e o comportamento figital do consumidor, que necessita estar no on e no off ao mesmo tempo para consumir, estudar e trabalhar.
Quando se trata de tempo médio de atraso, algumas contas andam esquecidas por mais de um ano, como as parcelas em cheque pré-datado e mensalidades de escolas/faculdades/FIES, com15 meses de atraso em média. Em contraste, telefone, financiamento de casa e carro têm atraso médio de seis meses.
Dica da Queridinha do Comércio
Amigo lojista, você que está na linha de frente sentindo o peso da inadimplência, seja flexível, mas com estratégia. Ofereça facilidades, sim, mas com critério — conheça seu cliente, avalie o histórico de compras e pagamentos, prefira formas de pagamento que minimizem riscos, como o Pix ou parcelamentos com entrada.
E pra você, consumidor, o recado é do coração: o crédito não é inimigo, mas precisa de respeito. Dinheiro não aceita desaforo. Antes de parcelar, pergunte se cabe no orçamento real, aquele que já conta com as contas básicas e até imprevistos. Se já está endividado, a saída é negociar com calma e prioridade. Um nome limpo abre portas, até no comércio de bairro.