Fila na feira para comprar, você já viu isso? Na Feira do Alecrim, em Natal (RN), uma banca tem se destacado entre dezenas de barracas tradicionais. É a única em que se forma fila ainda nas primeiras horas do dia, antes mesmo do dono da barraca chegar com os produtos para vender. Estamos falando da barraca da Torta de Tora do empreendedor Bruno Miranda. O nome virou jargão, marca registrada e estratégia de venda de sucesso.
Tudo começou como um projeto pessoal, uma decisão de ficar mais perto de casa. Deu certo, e virou um negócio de sucesso no setor de alimentação. As tortas artesanais com a tora de 500 g a 600 g vendida por R$ 20 a R$ 25 caiu no gosto do público pela proposta diferente: mais sabor, mais volume e um formato com identidade própria.
De gestor em tecnologia a vendedor de torta na feira
Antes de empreender no setor da alimentação, Bruno trabalhou por anos em empresas da área de gestão e supervisão no setor de tecnologia. Em 2024, decidiu mudar de vida. Saiu do emprego formal para empreender com um produto que unisse sabor, apelo visual e acessibilidade. Inspirou-se nas feiras de grandes centros, como São Paulo e Goiânia, onde confeitarias ocupam espaços populares com bolos artesanais.
Mas ele queria fazer diferente, inovar. Criou um conceito próprio para fugir do modelo tradicional de vendas por fatia: passou a vender torta em grandes porções, e chamou isso de tora. A estratégia deu certo.
“Não é fatia, nem pedaço. É tora mesmo. Eu queria algo que as pessoas reconhecessem, pedissem pelo nome. Hoje elas chegam na banca e falam: ‘vim buscar minha tora’”, conta Bruno.

A primeira banca de torta na tora do RN
O diferencial do negócio está no formato. Com mais de 20 sabores no cardápio — incluindo napolitano, café, amendoim, o bolo na tora se tornou um atrativo. Além da generosa porção, a apresentação é pensada para agradar os olhos e conquistar nas redes sociais.
A proposta de Bruno é clara: levar bolos de vitrine para o ambiente de feira, com preço justo e acessível. “Esses bolos bonitos que vemos em confeitarias são caros e, muitas vezes, inacessíveis. Minha ideia foi trazer isso para a feira, onde qualquer pessoa possa pagar e comer bem”, afirma.
A banca do Na Tora é a primeira na Feira do Alecrim, e até onde se sabe, a única no estado com esse modelo. A escolha por permanecer no ambiente da feira é estratégica: baixo custo, contato direto com o público e alto giro de produto.
Modelo de venda impulsionado pelas redes sociais e o tradicional boca a boca
Bruno usa as redes sociais como canal de divulgação e vendas. No Instagram, ele publica com antecedência os sabores do dia, os horários de chegada e o local da feira — geralmente o Alecrim aos sábados e a Cidade das Rosas em São Gonçalo aos domingos. A estratégia gera expectativa e fideliza o público. Questionado sobre o faturamento, ele não titubeia, tem sido muito positivo, e estima ser entre seis a oito vezes mais do que no trabalho anterior com carteira assinada.
Inovação e identidade no comércio local
O bolo na tora é um exemplo de como a inovação, mesmo em setores tradicionais como a alimentação, pode transformar um pequeno ponto de venda em um negócio escalável e reconhecido localmente.
Com apelo popular, identidade visual forte, presença digital ativa e uma entrega de valor consistente, o negócio de Bruno Cake mostra que há espaço para empreender nas feiras livres, desde que se entenda o público, se comunique bem e se ofereça algo realmente novo.
“Eu queria sair do padrão. Todo mundo vendia torta em fatia. Eu quis criar um produto com nome, personalidade, que grudasse na cabeça. E que fosse bom de verdade.”
É fato, o termo “tora” ultrapassou as redes e o vocabulário informal. Se tornou marca de um modelo de negócio local que cresce a cada feira, com fila garantida, fidelidade do público e uma lição prática de como a criatividade pode impulsionar vendas no comércio de rua.