Chamar o Rio: exposição coletiva da Christal Galeria no Recife reúne artistas da América Latina em torno dos direitos dos rios

A abertura do evento contará com uma performance dos artistas Ziel Karapotó e Olinda Tupinambá. Na imagem, Ziel Karapotó. Conexão, 2024. Foto performance por Lila Rodriguez

O que acontece quando um rio ganha direitos legais? Essa é uma das questões que conduz a exposição coletiva Chamar o Rio, com curadoria de Paula Borghi, que a Christal Galeria inaugura no dia 09 de outubro, a partir das 19h. O título aciona um duplo sentido: chamar o rio pelo nome e, ao mesmo tempo, lutar por seus direitos. A abertura contará com uma performance dos artistas Ziel Karapotó e Olinda Tupinambá.

Inspirada pela filosofia do bem-viver, a exposição parte da ideia de que os rios têm o direito de existir como qualquer outro ser vivo, independentemente de possuírem forma humana, propondo uma reflexão sobre a natureza como sujeito de direito.

A exposição contará com um recorte territorial latino-americano de 16 artistas contemporâneos em atividade e com pesquisas que não fazem distinção entre cultura e natureza. São artistas indígenas e não indígenas da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, El Salvador, Porto Rico e Venezuela. Serão apresentados trabalhos em vídeo, performance, objeto, desenho, pintura, fotografia e foto-performance — todos questionando as fronteiras entre cultura e natureza, humanos e não humanos, conceitos centrais para a manutenção da matriz colonial de poder.

“No ano em que o Brasil sediará a COP 30, evento no qual líderes mundiais, cientistas e atores da sociedade civil se reunirão para discutir ações para mitigar as mudanças climáticas, é fundamental colocar este tema também na agenda cultural”, defende a curadora da exposição, Paula Borghi.

Segundo a fundadora da Christal Galeria, Christiana Asfora, a mostra coletiva é um chamado por novas formas de proteção ambiental alinhadas aos modos de vida dos povos originários. Nas últimas duas décadas, indígenas e ativistas não indígenas vêm reivindicando ações legais que reconheçam os rios como pessoas jurídicas para garantir sua saúde e preservação.

Olinda Tupinambá. Marulho, 2024. Foto performance por Lila Rodriguez

Alguns exemplos internacionais reforçam esse movimento. O Rio Whanganui, na Nova Zelândia — considerado ancestral do povo Māori — recebeu, em 2017, o status de pessoa jurídica. Desde então, representantes Māori participam de todos os conselhos e comitês responsáveis pela gestão da área, garantindo sua presença nas decisões sobre projetos de construção e intervenções ambientais.

No entanto, nem todos os casos têm sido bem-sucedidos. O Rio Atrato, na Colômbia, declarado entidade legal em 2016, segue com seus direitos violados devido à poluição causada pelo garimpo. “Nem todos os casos de reconhecimento dos rios como pessoas jurídicas são suficientes para a garantia de seus direitos, assim como ocorre com os das pessoas humanas”, acrescenta Paula Borghi.

Ao reunir obras que evocam as dimensões políticas e sagradas das águas, Chamar o Rio convida o público a refletir sobre a urgência de proteger os rios e a imaginar novas formas de convivência entre seres humanos e não humanos.

Manuela Costa Silva. Temperança, 2018

Farão parte da exposição os seguintes artistas:
1. Camila Bardehle (Chile)
2. Edinson Quiñones (Colômbia)
3. Génova Alvarado (Venezuela)
4. Guillermo Rodríguez (Porto Rico)
5. Herbert de Paz (El Salvador)
6. Jorge Feitosa (Brasil, Rondônia)
7. J.Pavel Herrera (Cuba)
8. Manuel Brandazza (Argentina)
9. Manuela Costa Silva (Brasil, Goiás)
10. Marcelo Amorim (Brasil, Goiás)
11. Maria Bressanello (Argentina)
12. Nina Simão (Brasil, São Paulo)
13. Olinda Tupinambá (Brasil, Bahia)
14. Simone Fontana Reis (Brasil, São Paulo)
15. Sophia Pinheiro (Brasil, Goiás)
16. Ziel Karapotó (Brasil, Alagoas)

Christal Galeria – Desde sua abertura, em 2021, a Christal Galeria de Artes já realizou dezenas de exposições, entre coletivas e individuais de artistas fundamentais no panorama histórico e crítico da arte pernambucana, tais como J. Borges, José Barbosa, Cavani Rosas, Maria Carmen, George Barbosa e Ziel Karapotó. A programação da galeria foi pensada  para fortalecer e revelar talentos locais e nacionais, oferecendo um espaço para exposição tanto institucionais quanto experimentais. Com isso, a Christal Galeria de Artes busca desempenhar um papel vital com um território onde as artes influenciam os espectadores em suas percepções e interações com o mundo.

Serviço:
Exposição Chamar o Rio
Quando: A partir do dia 09 de outubro de 2025.
Onde: Christal Galeria, Rua Jeremias Bastos, 266, Pina.
Horário de visitação: De segunda a sexta, das 10h às 19h.
Entrada Gratuita.
Mais informações pelo Whatsapp: (81) 98952-7183 ou pelo e-mail  contato@christalgaleria.com.br.

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