Grupo pernambucano celebra 25 anos levando sua tradição indígena e coco autoral a palcos de São Paulo e Minas Gerais. Foto: Divulgação
O Coco de Toré Pandeiro do Mestre está vivendo um marco histórico. No ano em que celebra 25 anos de estrada, o grupo pernambucano dá início à sua primeira circulação nacional, levando sua estética, força ancestral e ritmo próprio para públicos de São Paulo e Belo Horizonte. A agenda segue entre os dias 19 e 30 de novembro, em uma rota que destaca a potência cultural do coco e dos rituais do Toré.
A estreia acontece em 19 de novembro, na tradicional Casa de Francisca, em São Paulo, às 21h30, com participações especiais de Alessandra Leão e Mestre Nico Manipueira. No dia 22, o grupo segue para Belo Horizonte, onde se apresenta às 20h no Baticum Tendinha Cultural, um dos espaços mais representativos da cena cultural da capital mineira.
O circuito volta a São Paulo no dia 26, às 20h, com apresentação no Ocupação Fervo, ao lado do grupo Filpo e a Feira, conhecido pelos discos Contos de Beira D’Água, Morada do Vento e Clareira. O encerramento da circulação será no Sesc Campo Limpo, em 30 de novembro, às 17h.
A roda sagrada que atravessa o tempo
Criado em 2000, o Coco de Toré Pandeiro do Mestre construiu uma linguagem autoral profundamente conectada aos cantos e danças do Toré — sistema ritual ancestral dos povos indígenas do Nordeste. O resultado é uma obra que une tradição, autonomia artística e uma estética sonora única.
O primeiro álbum, Coco de Toré (2007), tornou-se referência e trouxe participações de nomes como Zé Neguinho do Coco, Grupo Bongar, Siba, Tiné, além dos povos Fulni-ô e Pankararu. Em 2022, o grupo lançou Água da Flor da Corrente, produzido por Nilton Junior e com assinatura sonora do lendário Buguinha Dub, reunindo participações de Renata Rosa, Maciel Salu, Mestre Anderson Miguel e Coco dos Pretos.
Para Nilton, esta circulação é mais que uma agenda de shows — é fruto de uma caminhada longa.
“Essa circulação é a primeira colheita de uma semeadura feita ao longo dos últimos quinze anos. Em idas e vindas entre Pernambuco e o eixo Sul–Sudeste, fui difundindo nossa produção em aulas-espetáculo, oficinas e sambadas de coco. Agora é hora de saber se o plantio foi bem feito”, afirma.
A formação que segue na turnê inclui Nilton Junior, Rodrigo Félix, Zé Batista, Isael Araújo, Monique Xavier, Paloma Granjeiro, Izabelle Mota, Natália Santos, Jackeline Alves e Laura Souza.
Realização
A Circulação Nacional SP–BH 2025 é realizada pela Terno da Mata Produções (PE) e Ticuqueira Arte e Cultura (SP), com apoio do Sesc Campo Limpo e da Humaitá Cultura (BH). O projeto conta com incentivo da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc), Secretaria de Cultura de Pernambuco e Ministério da Cultura.