Uma das mais tradicionais maratonas cênicas do país, o festival realizado pela Apacepe terá abertura com apresentação de figurinos inspirados na estética do Movimento Mangue e seu mentor, Chico Science, grande homenageado deste ano. Grade traz estreia do “Auto da Compadecida”, show de Moreno Veloso, 95% de montagens pernambucanas e obras do Brasil e do mundo
Confirmando-se sol aberto sobre a produção cênica pernambucana, o Janeiro de Grandes Espetáculos estará em cartaz entre os dias 7 de janeiro e 4 de fevereiro de 2026 nos palcos, espaços públicos e culturais do Recife, para jogar luz sobre grupos e montagens, vozes e movimentos que mobilizam temas de ontem e de hoje na capital e no mundo.
Nesta 32ª edição, um dos mais longevos eventos do calendário cultural do estado e do país apresentará mais de cem obras de teatro adulto e infantil, música, dança e circo. E com muito fôlego para inaugurar uma tradição: a partir de agora, a diversificada curadoria passará a contemplar também o cinema, que será incorporada como linguagem fixa na programação, deste ano em diante. A estreia da sétima arte no festival será no Cinema São Luiz. Mais 10 locais do Recife serão palco para os espetáculos: os teatros de Santa Isabel, Parque, Apolo, Hermilo Borba Filho, Barreto Júnior, Capiba, Arraial Ariano Suassuna e André Filho (Espaço Fiandeiros), e também a Casa de Alzira e a praça do Campo Santo.
Além da capital, os municípios de Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe, Goiana e Limoeiro abrem as cortinas para a programação do evento ao longo do mês. Como vitrine para as produções locais que é, o JGE terá 95% de montagens pernambucanas. E ainda espetáculo de Brasília, Rio de Janeiro, Maceió e São Paulo. De fora do país, o Janeiro recebe obras da Argentina, Portugal e Eslováquia.
A grade completa de atividades, que inclui oficinas, lançamento de livros, residência artística e leitura dramatizadas, está disponível no site www.festivaljge.com.br. E os ingressos, que custam entre R$ 10 e R$ 140, já estão à venda na plataforma Sympla. Também há opções de espetáculos gratuitos, com acesso mediante a entrega de um quilo de alimento não perecível.
Com o tema “Da Lama ao Palco”, o Janeiro rende homenagem a Chico Science, que, em 2026, celebraria 60 anos. O artista foi um dos idealizadores e ícone absoluto do Movimento Manguebeat, evolução musical que modernizou o passado, tirando da lama fértil do Recife o sustento e o esteio cultural de todas as gerações pernambucanas e brasileiras da década de 1990 pra frente.
“Trata-se de uma das maiores revoluções culturais que o Recife já empreendeu, transformando e ampliando os horizontes e alcances de rigorosamente todas as cadeias de produção artística da cidade, para muito além da música. O Manguebeat mudou a relação do Recife com ele mesmo e com o mundo, desde o passado até o futuro. Nunca mais fomos os mesmos”, afirma Paulo de Castro, produtor-geral do festival realizado pela Apacepe, a Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco.
Abertura – No dia 7 de janeiro, a abertura do festival acontecerá no Teatro de Santa Isabel, reunindo 20 figurinos inspirados na estética que o Movimento Mangue implantou na cidade. Será a primeira vez que o Janeiro iniciará sua programação celebrando a moda pernambucana.
A coleção “Anamauê – Ecoando a Revolução”, assinada pelo estilista Mendx, será desfilada por um gabaritado elenco, formado por artistas de várias linguagens, presenças constantes nos palcos da dança, do teatro e da música recifenses, como as atrizes e bailarinas Íris e Iara Campos, os passistas Pinho e Minininho, a atriz e palhaça Fabiana Pirro, além da cantora, compositora e atriz Louise, filha de Chico Science.
Teatro – Como de costume, o teatro será a linguagem que falará mais alto na programação do festival, com mais de 60 peças adultas e infantis. Entre os destaques, está a estreia do espetáculo “Auto da Compadecida – Uma Farsa Modernesca”, dos diretores recifenses Eron Villar e Célio Pontes. A obra revisita a emblemática dramaturgia de Ariano Suassuna, que completaria 100 anos em 2027, propondo uma fusão vibrante entre o rico universo da cultura popular nordestina e as dinâmicas do teatro contemporâneo.
Entre as montagens adultas, destacam-se ainda “Vossa Mamulegência”, “Ophélia”, o musical “Francisco, Um Instrumento de Paz”, “Dom Casmurro”, “Meus 20 Minutos de Recreio”, “Pedras, Flor e Espinho”, “Cantigas de Fiar”, “MCP – O Sonho não Acabou”, “Só Resta Poeira para Trás”, “Medeia”, o clássico “Um Sábado em 30”, cuja primeira e mais famosa montagem leva a assinatura do Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP), tendo estreado nos idos da década de 1960. Quatro leituras dramatizadas compõem a grade e serão apresentadas no Teatro André Filho, no Espaço Fiandeiros.

Clássicos também não faltarão entre as opções de espetáculos infantis que serão apresentados pelo Janeiro, como “O Pequeno Príncipe”, “A Cigarra e a Formiga”, além dos contemporâneos “Tatu-do-bem”, “Jeremias e as Caraminholas” e “Histórias Pontilhadas”.
Música e ópera – Destaque na grade de quase 20 shows, Moreno Veloso e Igor de Carvalho cantarão com participação de Lula Queiroga e Buhr. Lucy Alves, Liv Morais, Cristina Amaral e Natasha Falcão estarão juntas em “Elas Cantam Elba”; e o Afoxé Oxum Pandá fará festa para Oxum. Espalhando muitos decibéis de novidades na tradicional e ensolarada maratona cênica, a ópera chega com o espetáculo “Anastácia”.
“O Janeiro segue se reinventando para se confirmar o que sempre foi: uma fonte excepcional de formação e fruição das artes no estado e um grande movimento artístico profissional, que eclode a dignidade do artista e sua relação com a sociedade pernambucana! Feliz é a cidade que mantém viva suas ferramentas culturais na sua própria evolução!”, celebra Paulo de Pontes, também à frente da concepção e realização do festival.

Dança e Circo – Juntas, as linguagens da dança e do circo apresentarão ao respeitável público do festival aproximadamente 20 espetáculos. Da dança, destacam-se “Corpos em Travessia”, Tudo Acontece na Bahia”, “Noite de Gala”, “Boca Seca” e mais os festivais de Pole Dance de Pernambuco e Florescer, de danças árabes e fusões.
Entre as montagens de circo, o Janeiro receberá desde o tradicionalíssimo “Eu, Você e o Circo Alakazan”, com a trupe de um dos mais célebres artistas do circo popular nordestino, até o Festival de Palhaçaria, com cinco espetáculos, entre eles o “Cabaré de Palhaças” e “Forum Narizes e Fronteiras”, que promoverá o diálogo entre mambembes do Brasil e de Portugal, mediados por Enne Marx. Outro destaque circense será o espetáculo “Circo Science: Do Mangue ao Picadeiro”, que transporta o legado do homenageado para baixo da lona.
Cinema – É no icônico Cinema São Luiz que a sétima arte se chega no JGE. Quatro curtas darão as boas-vindas à linguagem no festival, sendo uma estreia: “Sim ou Não?”, primeira ficção do diretor Tiago Leitão. Também em exibição “Recife Frio”, de Kleber Mendonça Filho; “Recife de Dentro pra Fora”, de Katia Mesel; e “O Mundo é uma Cabeça”, de Bidu Queiroz e Cláudio Barroso. A sessão será dia 2 de fevereiro, com entrada mediante 1 kg de alimento.
Cenas Curtas – Repetindo o sucesso do ano passado, a Mostra Janeiro de Cenas Curtas voltará a ocupar o Teatro Barreto Júnior, entre os dias 16 e 18 de janeiro, para assegurar palco e visibilidade para atores e autores estreantes da cidade, abrindo alas para um futuro cada dia mais cênico na capital pernambucana. Ao todo, serão apresentadas 27 cenas, cada uma com oito a quinze minutos de duração e as mais diversas temáticas e estilos, da tragédia à comédia. Para garantir mais que audiência aos iniciantes, o Janeiro premiará os três melhores trabalhos apresentados na mostra e entregará troféus para a melhor direção e para as melhores atuações, nas categorias masculina e feminina.
Homenageados – Além de semear, celebrar. Cumprindo sua missão de reconhecer e enaltecer importantes trajetórias cênicas na cidade de tantas vocações culturais, o festival celebrará nesta 32ª edição José Mário Austragésilo e Severino Florêncio, do teatro; Mestra Nice, da dança; a Escola Pernambucana de Circo e seu importante trabalho de formação, da linguagem circense; e Rose Mary Martins, na ópera. Completa a lista, na categoria música, o Maestro Duda, um dos maiores compositores, arranjadores e instrumentistas do nosso frevo, pelo conjunto de sua obra.
Prêmio Copergás – A celebração às cenas, cênicas e cênicos da cidade ganhará pódio durante o Janeiro, que promoverá mais uma edição do Prêmio JGE Copergás de Teatro, Dança, Circo e Música de Pernambuco. No dia 4 de fevereiro, no Teatro do Parque, serão distribuídos 30 troféus em seis categorias: Teatro Adulto, Teatro Infantil, Dança, Circo, Música.
Conselho Consultivo – Esta 32ª edição, plural como sempre e musical como nunca, celebrando o Manguebeat e abrindo alas para a ópera, conta com o crivo e as sensibilidades de Rudimar Constâncio, Everson Melquíades e Júnior Sampaio para a definição de seu conceito e dos homenageados. A Comissão de Seleção de Espetáculos é formada por Ângela Fischer (dança e circo), Eron Villar (teatro e ópera), Walmir Chagas (teatro, música e ópera) e Mayra Waquim (circo e dança), equipe que, junto ao produtor geral, Paulo de Castro, desenhou a grade levando em consideração também o chamamento realizado com o objetivo de assegurar representatividade ao festival, garantindo um lugar debaixo do sol do Janeiro para os mais diversos esforços e sonhos cênicos que se realizam nos palcos do Recife.
O Janeiro de Grandes Espetáculos é uma realização da Apacepe (Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco) em parceria com o Sesc e com patrocínio de Suape, da Fundarpe (Governo do Estado de Pernambuco), Fundação de Cultura Cidade do Recife e Secretaria de Cultura da Prefeitura do Recife.
SERVIÇO
32º Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Teatro, Dança, Circo e Música de Pernambuco
De 7 de janeiro a 4 de fevereiro de 2026
Programação e informações no site www.festivaljge.com.br
Ingressos: www.sympla.com.br/festivaljge