Avaliação ortodôntica precoce evita cirurgias e melhora o desenvolvimento facial das crianças

Especialista alerta que acompanhamento ortodôntico antes dos 12 anos permite intervenções preventivas, reduz riscos futuros e contribui para a saúde bucal e emocional das crianças. Foto: Divulgação

Detectar precocemente alterações no crescimento da arcada dentária e no desenvolvimento ósseo das crianças pode evitar cirurgias e garantir um sorriso saudável na vida adulta. A avaliação ortodôntica ainda na infância é uma etapa essencial do cuidado odontológico, mas que, segundo o professor Evane Toledo, mestre em Clínica Odontológica e docente do curso de Odontologia da Estácio, ainda é pouco valorizada pelos pais. “A importância da avaliação ortodôntica precoce é muito grande porque conseguimos perceber tendências de distúrbios de crescimento ou de espaço na arcada, o que permite uma intervenção preventiva”, explica o especialista.

De acordo com Toledo, antes dos 12 anos — fase em que se completa a troca dos dentes permanentes —, o tratamento costuma ser preventivo e, na maioria das vezes, envolve o uso de aparelhos móveis. O objetivo é corrigir pequenas tendências de má oclusão e orientar o desenvolvimento ósseo enquanto a criança ainda está em fase de crescimento. “Aproveitar esse período torna o processo mais leve e evita que, no futuro, sejam necessárias cirurgias invasivas para corrigir as bases ósseas”, completa.

Sinais de alerta
Alguns sinais podem indicar que a criança precisa de uma avaliação ortodôntica. O mais comum, segundo o professor, é o apinhamento dentário — quando os dentes nascem tortos ou sem espaço suficiente na boca. Mas outros sintomas menos evidentes também merecem atenção. “Crianças respiradoras bucais, por exemplo, podem estar desenvolvendo alterações ósseas e funcionais. O mesmo vale para quem mantém hábitos como chupar chupeta ou dedo, que interferem diretamente na formação dos ossos e no posicionamento dentário”, alerta Toledo.

Esses fatores, muitas vezes ignorados no início, podem gerar complicações que ultrapassam a estética. Alterações respiratórias, dificuldades na mastigação e até impactos psicológicos estão entre as consequências possíveis quando o problema não é tratado a tempo.

Consequências a longo prazo
Os prejuízos de uma intervenção tardia podem se estender por toda a vida. Além de comprometer a saúde bucal, o mau posicionamento dos dentes pode afetar a autoconfiança das crianças. “Uma criança que cresce com os dentes desalinhados pode se sentir excluída do convívio social, além de desenvolver problemas funcionais como respiração inadequada e mastigação ineficiente”, pontua o docente.

Por isso, o especialista reforça que quanto mais cedo os pais buscarem o atendimento, maiores são as chances de sucesso no tratamento. “Tudo que é tratado cedo dá mais certo. O ideal é procurar o ortodontista assim que surgirem os primeiros sinais de desequilíbrio no crescimento ou hábitos inadequados”.

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