Nordeste acelera presença feminina na Bolsa

Estados da região registram crescimento acima da média nacional e revelam maior interesse das mulheres por investimentos em renda variável. Foto: Divulgação

O avanço das mulheres no mercado financeiro tem ganhado força no Nordeste. Em 2025, mais de 54 mil brasileiras passaram a investir em renda variável na B3, um crescimento anual de 3,98%. Desde 2021, o aumento acumulado no país foi de 41%.

No recorte regional, os números revelam um movimento ainda mais expressivo. Estados nordestinos registraram crescimento acima da média nacional, como Ceará (6,94%), Alagoas (6,76%), Piauí (6,37%), Pernambuco (5,95%), Paraíba (5,90%), Sergipe (5,59%), Rio Grande do Norte (5,37%) e Maranhão (5,34%).

Em Pernambuco, o número de mulheres investindo em renda variável passou de 32.459 em 2024 para 34.391 em 2025, um aumento de 1.932 novas investidoras em apenas um ano, representando crescimento de aproximadamente 5,95%. O dado consolida o estado como um dos principais mercados femininos do Nordeste em volume absoluto.

Apesar de ainda representarem 26% do total de investidores da Bolsa, as mulheres demonstram um comportamento financeiro mais estratégico. O estoque médio investido por elas é de R$ 3.029, praticamente o dobro do valor médio dos homens, que é de R$ 1.682.

Para Larissa Falcão, Sócia e Líder da XP no Norte e Nordeste, esse movimento revela amadurecimento e maior consciência financeira feminina. “As mulheres entram no mercado de investimentos de forma mais planejada. Elas buscam informação, entendem seus objetivos e constroem patrimônio com visão de longo prazo. No Nordeste, temos observado um crescimento consistente, principalmente entre mulheres que querem independência financeira e segurança para tomar decisões com mais autonomia”, afirma.

Segundo ela, o papel da assessoria de investimentos se torna ainda mais relevante nesse contexto. “Quando o profissional de assessoria entende a realidade regional, a dinâmica de renda e os objetivos individuais de cada cliente, a relação deixa de ser apenas operacional e passa a ser estratégica. Muitas mulheres querem diversificar, mas também querem compreender cada passo. Nosso trabalho é traduzir o mercado e estruturar portfólios alinhados aos seus sonhos e metas de vida”, complementa Larissa.

No Mês da Mulher, os números reforçam que o avanço feminino no mercado financeiro não é pontual, mas estrutural. O Nordeste aparece como um dos protagonistas dessa transformação, mostrando que educação financeira, acesso à informação e atendimento personalizado são fatores decisivos para ampliar a presença feminina na renda variável.

Mais do que entrar na Bolsa, as mulheres nordestinas estão construindo patrimônio com estratégia, e ocupando, de forma consistente, um espaço que historicamente sempre foi majoritariamente masculino.

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