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Dados do Sebrae apontam que mais de 10,4 milhões de brasileiras são donas de negócios; iniciativa da Estácio incentiva autonomia econômica feminina
Atualmente, mais de 10,4 milhões de mulheres são donas do próprio negócio no país, segundo dados do Sebrae, número que cresceu cerca de 42% entre 2012 e 2024. Apesar do avanço, desafios como dificuldade de acesso a crédito, sobrecarga com tarefas domésticas e baixa autoestima ainda limitam o desenvolvimento de muitos desses empreendimentos.
Neste cenário, iniciativas como o projeto Mulheres Empreendedoras Empoderadas (MEE), da Estácio, são essenciais para incentivar as mulheres a mudarem sua realidade. Em Natal, as ações são desenvolvidas de forma multidisciplinar, com atividades de cursos das áreas de Gestão, Ciências Jurídicas, Saúde e Economia Criativa, para promover momentos de formação coletiva, rodas de conversa, orientações individuais e acompanhamento contínuo, combinando capacitação técnica e desenvolvimento emocional.
Para Petrucia Santos, docente de Direito e coordenadora do projeto em Natal, os números revelam avanços importantes, mas também desafios persistentes. “Esses dados mostram que as mulheres já estão empreendendo, mas muitas ainda enfrentam barreiras estruturais, como: dificuldade de acesso a crédito, falta de qualificação, sobrecarga com tarefas domésticas e, principalmente, a baixa autoestima. Muitas vezes, elas não se enxergam como capazes de liderar um negócio”, destaca.
Uma das instituições beneficiadas foi a Associação Beneficente Raimunda Rodrigues (ABRAIRO), localizada no bairro do Alecrim, que atende crianças, jovens e adultos, promovendo ações sociais, cursos profissionalizantes e apoio à comunidade.
Para Francisca Sales Barbosa, presidente da associação, a iniciativa trouxe mudanças perceptíveis para as participantes. “O impacto foi muito positivo. Muitas mulheres tinham a autoestima baixa e esses encontros foram momentos maravilhosos aqui na ABRAIRO. Elas gostam muito de participar e essa parceria tem sido muito importante para a comunidade”, relata.
Segundo Francisca, o fortalecimento pessoal também refletiu no comportamento das participantes. “Depois das atividades, muitas passaram a se interessar mais em participar das ações, começaram a se cuidar mais e a autoestima melhorou bastante”, afirma. Na avaliação da presidente da associação, o incentivo ao empreendedorismo é fundamental para mulheres em situação de vulnerabilidade. “Quando elas têm acesso a esse tipo de orientação, passam a buscar melhorias na vida profissional, emocional e também familiar”, destaca.
Ainda segundo Petrucia, o fortalecimento interno é etapa estratégica para a consolidação de qualquer negócio. “Ninguém empreende com medo constante de errar ou com a sensação de que não é capaz. A autoestima é a base para a tomada de decisão, para negociar e para divulgar seu trabalho. Quando a mulher passa a acreditar em si, ela se posiciona de outra forma no mercado”, reforça.
“Nosso principal objetivo é fortalecer a autonomia das mulheres por meio do desenvolvimento pessoal e do incentivo ao empreendedorismo. Acreditamos que, quando uma mulher reconhece seu potencial, ela transforma não apenas sua própria realidade, mas também a da sua família e da comunidade”, afirma a coordenadora.