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Especialista fala da importância do momento, que exige uma mudança estrutural na cultura corporativa
O Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio, chega em 2026 marcado por uma mudança importante no debate sobre as relações de trabalho no Brasil. Temas como saúde mental, bem-estar e qualidade de vida deixam de ser tendência e passam a ocupar o centro das discussões, impulsionados por novas regulamentações, mudanças culturais e pela crescente pressão por modelos de trabalho mais equilibrados.
Dados recentes reforçam a urgência desse debate. Segundo o Ministério da Previdência Social, o Brasil registrou mais de 472 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais em 2024, o maior número da série histórica e um crescimento de 67% em relação ao ano anterior . Ansiedade, depressão e síndrome de burnout estão entre as principais causas de afastamento, impactando diretamente a produtividade e a sustentabilidade das organizações.
Para a consultora estratégica Susane Silva, o momento exige uma mudança estrutural na cultura corporativa. “Não é mais possível falar de produtividade sem considerar saúde mental. O modelo tradicional, baseado em jornadas extensas e alta pressão, está sendo questionado porque simplesmente não se sustenta no longo prazo. Empresas que não se adaptarem tendem a perder talentos e competitividade”, afirma.
O cenário acompanha uma tendência global. Estimativas da Organização Mundial da Saúde e da Organização Internacional do Trabalho indicam que transtornos como ansiedade e depressão geram perdas de mais de US$ 1 trilhão por ano em produtividade no mundo.
No Brasil, o avanço de regulamentações também reforça essa mudança. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passou a exigir que empresas identifiquem e gerenciem riscos psicossociais no ambiente de trabalho, transformando a saúde mental em uma responsabilidade formal das organizações . Paralelamente, cresce o debate público sobre a revisão de modelos tradicionais de jornada, como a escala 6×1, considerada por especialistas como prejudicial ao descanso e à qualidade de vida dos trabalhadores.
Ainda segundo a especialista, iniciativas como a revisão da jornada de trabalho e o fortalecimento de políticas de bem-estar não devem ser vistas apenas como benefícios, mas como estratégias de negócio. “Estamos diante de uma virada de chave. Cuidar da saúde mental e física do trabalhador deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade estratégica. Organizações mais saudáveis são, comprovadamente, mais inovadoras, produtivas e resilientes”, destaca.
Outro ponto observado por Susane é a mudança no perfil dos profissionais, que têm priorizado cada vez mais saúde mental e qualidade de vida nas decisões de carreira. Um levantamento global da Deloitte, o Global Gen Z and Millennial Survey, aponta que cerca de 46% da Geração Z e 39% dos millennials já deixaram empregos devido a questões relacionadas à saúde mental, evidenciando o peso crescente do tema na relação com o trabalho.
Sobre Susane Silva
Graduada em Ciências Sociais, com especialização em Docência e MBA em Gestão de Projetos e Metodologias Ágeis, Susane atua como consultora estratégica em multinacionais e organizações nacionais e facilitadora de processos organizacionais inovadores, utilizando frameworks como Scrum, Kanban e OKRs e gestão orientada a dados (data Driven). Ao longo da carreira, tem trabalhado na formação de lideranças e no fortalecimento de ambientes profissionais mais colaborativos e de resultados e inovadores.