Especialistas alertam para a baixa conscientização sobre fatores de risco e a necessidade de exames oftalmológicos periódicos. Imagem: Freepik
Nesta terça-feira, 26, é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, instituído em 2002 pela Lei nº 10.456. A data foi criada para alertar sobre a doença apontada como a maior causa de cegueira irreversível no mundo e a segunda maior causa de cegueira reversível, atrás apenas da catarata.
A principal característica do glaucoma é o aumento da pressão intraocular, que provoca lesões no nervo óptico e perda progressiva da visão, começando pela visão periférica. Os sintomas demoram a aparecer e a maioria dos pacientes só descobre o glaucoma num estágio avançado.
A pesquisa Um olhar para o glaucoma no Brasil, aplicada pelo Ibope Inteligência, revelou um grande desconhecimento sobre a doença: 41% dos entrevistados não sabem o que é glaucoma. Divulgado pela Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), em 2025, o levantamento mostra ainda que 53% dos pesquisados desconhecem que a doença pode causar cegueira irreversível; e 47% não sabem ou não acreditam que a doença pode ser hereditária.
O mais alarmante é que 90% dos entrevistados não sabem que a população negra faz parte do grupo de risco do glaucoma. Considerando que, no Censo do IBGE de 2022, a maior parte dos brasileiros(45,3%) se declarou parda e 10,2% da cor preta, podemos afirmar que 55%% – ou mais da metade dos brasileiros – está inserida no grupo de risco de ter glaucoma em alguma fase da vida.
Glaucoma juvenil
Em 2026, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) elegeu o glaucoma juvenil como tema da campanha Maio Verde, desenvolvida para conscientização sobre esta forma da doença que atinge pessoas entre três e 40 anos.
Diferente do glaucoma congênito, que está presente desde o nascimento, o juvenil tem semelhança com o adulto, porém, os níveis de pressão intraocular podem apresentar valores muito altos. De acordo com a SBO, pessoas com 50 anos ou mais, quando descobrem o glaucoma, costumam ter valores que são cerca da metade dos verificados em pacientes com glaucoma juvenil.
Para evitar o risco, crianças e adolescentes devem ir ao oftalmologista uma vez ao ano, a fim de verificar se há alguma condição clínica que precise de acompanhamento. “A Consulta oftalmológica regular associada a exames complementares de última geração podem diagnosticar e mudar radicalmente o curso da doença evitando perda de visão pelo glaucoma”, afirma o oftalmologista Clovis Freitas, sócio da Viw Oftalmologia.
A patologia pode se desenvolver durante meses ou anos sem apresentar nenhum sintoma, sendo percebida somente na fase mais avançada, quando a pessoa já está perdendo a visão periférica, ou seja, vê o que está na sua frente, mas não enxerga o que está dos lados. “Quando há casos de glaucoma na família, as visitas regulares ao oftalmologista são ainda mais necessárias. Se o nervo óptico for lesionado pelo glaucoma, ele não se recupera. Por isso, se a doença não for diagnosticada e tratada a tempo, ocorre cegueira permanente, irreversível”, explica Dr. Clovis.
Fatores de risco e diagnóstico
Alguns fatores de risco favorecem o aparecimento da doença, como idade avançada, hipertensão arterial, miopia elevada, diabetes, raça negra e hereditariedade. O glaucoma é diagnosticado com exame oftalmológico cuidadoso que inclui a medição da pressão intraocular. Às vezes, podem ser necessários outros exames, como de fundo de olho e campo visual.
Entre os equipamentos de ponta instalados na Viw Oftalmologia, destaca-se o Dream OCT, angiotomógrafo da retina de alta resolução, pioneiro no país. Ele faz a Tomografia de Coerência Óptica do nervo ópitico, um exame que é padrão ouro na detecção precoce de doenças da retina e glaucoma.
Se houver diagnóstico de glaucoma, o tratamento se dá com a utilização de colírios que baixam a pressão ocular, cirurgias ou uso do laser. É uma doença crônica e sem cura, mas que pode ser controlada com os cuidados adequados.

Saiba mais sobre o Dr. Clóvis Freitas
O médico oftalmologista Clóvis Freitas é autor de livros sobre uveítes, com fellowship em imunologia ocular na MERSI, instituição de pesquisa e cirurgia ocular de Massachusetts/EUA – um centro de estudos avançados em uveítes, catarata e doenças inflamatórias oculares.
Pernambucano, ele é um dos especialistas que representam no Brasil a Ocular Immunology and Uveitis Foundation (OIUF), uma das entidades fundadoras do World Uveitis Day, celebrado pela primeira vez no dia 10 de abril de 2026.