Espécie ameaçada de extinção teve uma das maiores eclosões da temporada em único ninho monitorado na Praia de Enseadinha, no litoral norte pernambucano. Fotos: Jocelane Cavalcanti/ SEMMA
O município do Paulista, na Região Metropolitana do Recife (RMR), registrou um importante resultado para a conservação da fauna marinha com o nascimento de 140 filhotes de tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) em um único ninho localizado na Praia de Enseadinha, no bairro do Janga. A eclosão ocorreu na madrugada da última quarta-feira (3) e integra a temporada reprodutiva 2025-2026 da espécie.
Reconhecida como uma das tartarugas marinhas mais ameaçadas de extinção do planeta, a tartaruga-de-pente encontra no litoral de Paulista um importante refúgio para reprodução. O acompanhamento dos ninhos é realizado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), por meio do Núcleo de Sustentabilidade Urbana (NSU), que monitora continuamente as áreas de desova ao longo da costa do município.
Segundo a coordenadora do NSU, Jocelane Cavalcanti, a temporada ainda segue em andamento. Atualmente, sete ninhos permanecem sob monitoramento, sendo um na Praia de Enseadinha e os demais em Maria Farinha, outro importante ponto de reprodução da espécie no litoral norte de Pernambuco.
A relevância ambiental da Praia de Enseadinha foi reconhecida oficialmente pela Lei Municipal nº 5.213/2023, que a define como berçário natural da tartaruga-de-pente. O local tem papel estratégico para a preservação da espécie, cuja população enfrenta ameaças constantes relacionadas à ação humana e às mudanças ambientais.

De acordo com a Semma, o monitoramento dos ninhos é realizado diariamente e intensificado a partir do 45º dia após a desova, período em que aumenta a expectativa pela eclosão. Entre os principais riscos para os filhotes estão o pisoteio dos ninhos, o descarte irregular de lixo e a poluição luminosa, fatores que podem comprometer tanto o nascimento quanto o percurso dos animais até o mar.
O período de incubação varia entre 45 e 60 dias. Após a eclosão, os filhotes ainda levam de dois a três dias para emergirem completamente da areia antes de iniciarem sua jornada rumo ao oceano.
A Secretaria de Meio Ambiente orienta moradores e frequentadores das praias a colaborarem com a preservação da espécie. Ao identificar ninhos, filhotes ou processos de eclosão, a recomendação é acionar o Núcleo de Sustentabilidade Urbana pelo WhatsApp (81) 99836-9947 ou a Guarda Civil Municipal pelo telefone 153.
Também é importante manter distância dos animais e evitar o uso de lanternas, flashes ou qualquer fonte de luz artificial próxima aos filhotes, já que a luminosidade pode desorientá-los e dificultar sua chegada ao mar.