Entenda como o Pilates fortalece o glúteo, melhora o contorno e o que realmente influencia na redução da “bananinha”. Foto: Freepik
A busca por um glúteo mais firme, elevado e com aparência natural tem impulsionado o interesse pelo Pilates nos últimos anos. Em um cenário em que padrões estéticos mais volumosos vão perdendo espaço para resultados mais equilibrados, cresce a procura por práticas que combinem funcionalidade, controle corporal e bem-estar.
Esse movimento acompanha a expansão da modalidade no cenário global. O crescimento do Pilates se insere em um contexto mais amplo do setor de bem-estar, que já movimenta cerca de 39,9 bilhões de dólares em atividades como yoga, Pilates e práticas afins, segundo dados da consultoria WGSN. Criado pelo alemão Joseph Pilates no início do século 20, o método se baseia justamente no controle preciso dos movimentos e na ativação consciente da musculatura — um dos pontos que ajudam a explicar os resultados associados à prática.
No fortalecimento do glúteo, essa lógica aparece de forma integrada. O trabalho não se limita ao músculo mais superficial da região, mas envolve também estruturas responsáveis por estabilização e sustentação do quadril. Segundo o supervisor técnico da Selfit Academias, Pedro Edgar, essa ativação mais ampla é um dos diferenciais do método. “O Pilates promove a ativação do glúteo máximo, glúteo médio e glúteo mínimo, além de músculos que possuem a função estabilizadora do quadril”, explica.
Na prática, isso significa que o exercício não atua apenas no volume ou na estética imediata da região, mas na forma como o corpo se organiza para sustentar o movimento. Esse recrutamento mais completo tende a refletir em um contorno mais firme ao longo do tempo, especialmente quando a prática é consistente.
A forma como os exercícios são executados também faz diferença nesse resultado. Nos aparelhos de Pilates, a resistência das molas não é fixa, ela aumenta de forma progressiva, o que exige controle constante e atenção ao alinhamento do corpo durante toda a execução. “As molas aumentam a resistência progressivamente e exigem que o glúteo trabalhe mantendo o alinhamento. Esse ganho de força e controle melhora o aspecto visual”, afirma o especialista.
A “bananinha” sai?
Apesar dos benefícios, uma dúvida ainda é comum entre quem busca o método como aliado estético: é possível eliminar a chamada “bananinha” apenas com Pilates? O termo, bastante popular nas redes sociais, se refere à pequena área de gordura ou flacidez logo abaixo do glúteo, na transição com a coxa.
A resposta, segundo o especialista, envolve uma visão mais ampla do corpo,o exercício físico, por si só, não atua de forma isolada na redução dessa região. “É fundamental frisar que a redução da ‘bananinha’ depende também da composição corporal geral, de uma boa alimentação e do percentual de gordura do indivíduo”, pontua Pedro Edgar. O fortalecimento muscular pode ajudar a melhorar o contorno da área, mas a redução de gordura está ligada a fatores sistêmicos, como rotina alimentar e composição corporal.
Outro ponto que influencia diretamente os resultados é o alinhamento durante a prática. A posição da pelve, por exemplo, interfere na eficiência da ativação muscular e pode mudar a forma como o exercício é percebido pelo corpo. “Quando a pelve está bem posicionada, o glúteo consegue produzir força de maneira muito mais eficiente. Isso acontece porque o alinhamento correto diminui a compensação de outras musculaturas nos movimentos”, explica.
Para quem busca mais firmeza e tônus sem recorrer a procedimentos estéticos, o Pilates pode ser uma alternativa consistente desde que praticado com regularidade e atenção à execução. “Sim, é perfeitamente possível melhorar bastante a sustentação, a firmeza e o tônus apenas com o treinamento consistente”, afirma o especialista.
Ele reforça ainda que o resultado não depende tanto do equipamento utilizado, mas da qualidade do movimento. “O ‘padrão-ouro’ não é apenas o aparelho em si, mas sim a execução: amplitude adequada, controle do movimento, progressão correta da resistência da mola e uma boa ativação muscular”, destaca.
Ao mesmo tempo, a técnica correta é o que garante segurança ao método. Quando há falhas na execução, o corpo tende a compensar, o que pode gerar sobrecarga em outras regiões. “Existe o risco de sobrecarregar a lombar, sim. O Pilates é extremamente seguro quando bem executado, mas a falta de técnica gera compensações”, finaliza.