Como se preparar e investir no crescimento do negócio? 

Especialista dá dicas para aliar hábitos financeiros saudáveis à rotina empreendedora. Foto: Divulgação

Empreender é o segundo sonho do brasileiro, atrás apenas da conquista da casa própria, conforme aponta a pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM). A facilidade no acesso ao crédito e a confiança na economia são alguns dos fatores que podem explicar a ascensão de tal fenômeno no país, que reúne cerca de 78% de novas operações abertas por microempreendedores individuais (MEIs). Entretanto, a organização e formalização seguem como um gargalo para a consolidação destes empreendimentos. 

De acordo com o Sebrae, seis em cada 10 donos de pequenos negócios possuem uma gestão financeira limitada e 61% utilizam a conta pessoal para fazer pagamentos institucionais. “Entender o fluxo financeiro com clareza evita a quebra do empreendimento e também serve de auxílio para decisões mais coerentes. Isso só é possível, inicialmente, a partir da divisão de contas entre o que é pessoal e o que é dinheiro da organização”, destaca Thiago Azevedo, gerente de negócios e especialista em investimentos da Sicredi Recife. Só na região Nordeste, 67% das pequenas empresas operam sem a distinção de contas, resultando em oscilações financeiras e danos à sobrevivência.  

Para superar o desafio da informalidade e garantir estabilidade, investir na organização é um mecanismo que deve fazer parte da mentalidade empreendedora. De modo complementar, o especialista aponta alguns hábitos econômicos que devem ser incorporados à rotina do negócio para alcançar investimentos compatíveis com a forma e realidade da empresa.   

Investimentos 
O especialista orienta que a busca por crédito deve ser conduzida pela demanda particular e analisada pontualmente. A partir de então, alcançar a disciplina e proteção de capital do negócio ao longo do investimento deve nortear o processo, bem como incluir práticas rigorosas de controle, previsibilidade e fluxo de caixa.

“A primeira etapa é separar uma parte do resultado todos os meses para criar constância e garantir que o investimento seja mantido. Junto disso, é importante manter esse recurso em aplicações com liquidez e baixo risco, porque o foco não é maximizar retorno, e sim estar pronto para utilizar o dinheiro no momento certo do negócio”, aponta Thiago. 

Em paralelo, o empreendedor deve definir o objetivo do investimento, seja para garantir o capital de giro, que costuma ter um prazo menor e um acesso mais rápido ao crédito, ou uma reforma, que pode ser feita a partir de recursos com prazos estendidos como empréstimos e consórcios. 

“Saber o que se está guardando é fundamental para evitar resgates aleatórios e melhorar a tomada de decisão. Também é preciso acompanhar minimamente o caixa e o crescimento desse recurso. Saber quanto já acumulou e quanto falta para atingir o objetivo traz mais segurança. E, talvez o mais importante, é não misturar esse valor com o giro da empresa”.

Recursos disponíveis
Atualmente, os empreendedores podem contar com linhas de crédito específicas para direcionar e impulsionar o crescimento de seus negócios. Com a base estruturada, é possível aplicar e gerenciar recursos com mais facilidade. “Na Sicredi Recife, por exemplo, as modalidades de crédito para PJ e microempreendedores seguem a lógica do sistema financeiro, mas com forte foco em relacionamento, cooperativismo e adequação ao fluxo do associado”, completa o especialista.

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