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Especialista esclarece mitos e verdades sobre o alimento alvo de fake news
Vez ou outra, surge alguma notícia apontando determinado alimento como prejudicial à saúde. Há alguns anos, os ovos ocupavam esse posto. Atualmente, um dos principais alvos da desinformação é o leite. Há quem afirme que ele é inflamatório, pode agravar gripes e alergias ou deveria ser retirado da dieta de forma geral. Em contrapartida, essa bebida sempre esteve associada ao fornecimento de cálcio e outros nutrientes importantes para o organismo. Diante de tantas informações contraditórias, surge a dúvida: afinal, o leite é vilão ou aliado?
Esse debate também tem impactado o mercado. Segundo dados do Observatório do Consumidor, da Embrapa, houve uma redução de 4% na busca por leite longa vida (UHT) nos últimos quatro anos. Embora seja um tema frequentemente polarizado na internet, não há consenso científico que sustente a ideia dessa bebida fazer mal à saúde da população. Pelo contrário, estudos de revisão indicam que o consumo de leite e derivados pode fazer parte de uma alimentação equilibrada e estar associado à prevenção de doenças cardiovasculares.
De acordo com Daniela Gomes, nutricionista e docente do curso de Nutrição do UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau Juazeiro do Norte, o leite deve ser encarado como um aliado da alimentação saudável, embora não seja indispensável. Ele é uma importante fonte de proteína de alto valor biológico, cálcio, vitamina B12, fósforo e diversos outros nutrientes essenciais.
“Pessoas que não consomem leite podem obter seus nutrientes por outras fontes alimentares, se a dieta for bem planejada. O foco principal deve estar na qualidade global da alimentação e não em um alimento isolado”, declara.
Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, com exceção do leite materno nos primeiros seis meses de vida, nenhum alimento, sozinho, é capaz de suprir todas as necessidades nutricionais do organismo. Por isso, não é recomendado retirar o leite da alimentação de forma indiscriminada. Antes de promover mudanças significativas na dieta, é importante buscar orientação de profissionais de saúde capacitados, pois podem indicar estratégias adequadas às necessidades individuais.
“O leite deve ser evitado em situações específicas, como alergia à proteína do leite de vaca, que é uma reação imunológica, ou em casos de intolerância à lactose. O mais importante é ele estar inserido em um padrão alimentar saudável. Pode ser consumido puro ou combinado com frutas, aveia e outras fontes de nutrientes. Os derivados lácteos, especialmente os fermentados, como os iogurtes naturais, também podem fazer parte da dieta cotidiana”, destaca a nutricionista.
Em um cenário marcado pela circulação de informações nem sempre confiáveis sobre alimentação, especialistas reforçam que decisões relacionadas à exclusão de alimentos devem ser baseadas em evidências científicas e orientação profissional, não em tendências ou conteúdos viralizados nas redes sociais. O equilíbrio e a variedade continuam sendo os pilares de uma dieta saudável.