Recuo de 0,24% no grupo Alimentação e bebidas contribuiu para desaceleração do índice, que fechou o mês em 0,16%; inflação acumulada em 12 meses, porém, permanece acima do centro da meta
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,16% em junho, desacelerando em relação ao resultado observado em maio. Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisados pelo Hub do Comércio da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (Fecomércio-PE), mostram que a inflação acumulada no primeiro semestre de 2026 alcançou 3,36%, enquanto a taxa acumulada em 12 meses chegou a 4,64%, permanecendo acima do centro da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
Entre os grupos pesquisados, o principal destaque foi Alimentação e bebidas, que registrou recuo de 0,24% e exerceu a maior contribuição para a desaceleração da inflação no mês. Em sentido contrário, Saúde e cuidados pessoais (0,23%) e Despesas pessoais (0,25%) apresentaram as maiores altas no período. Entre os alimentos, as maiores elevações de preços foram registradas no pepino (19,14%), morango (10,98%), feijão carioca (8,31%) e feijão preto (7,86%). Já as quedas mais expressivas ocorreram no açaí (-14,41%), na laranja-baía (-13,51%) e na laranja-lima (-9,22%).
Embora o resultado de junho sinalize uma inflação mais moderada em comparação aos meses anteriores, o acumulado de 4,64% em 12 meses ainda permanece acima do centro da meta, indicando que o processo de controle dos preços segue exigindo cautela. O cenário tende a ser acompanhado de perto pelo Banco Central, que continuará considerando, além da inflação corrente, o comportamento das expectativas, da atividade econômica e do ambiente internacional na condução da política monetária.
Para o presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac Pernambuco, Bernardo Peixoto, a redução dos preços dos alimentos representa um alívio para as famílias, mas ainda não é suficiente para compensar as altas acumuladas ao longo do ano. “A queda observada em alimentação e bebidas é uma notícia positiva, mas ainda há um longo caminho pela frente. No acumulado do ano, os alimentos já registram alta superior a 4,5%, e isso continua pesando no orçamento das famílias”, afirma.
O economista da Fecomércio Pernambuco, Rafael Lima, explica que a alta registrada em alguns alimentos, especialmente no feijão, está relacionada à redução da oferta do produto. “A elevação do preço do feijão está ligada à quebra da safra, que reduziu a oferta disponível no mercado. Esse movimento vem sendo observado desde o início do ano e, segundo a Conab, a primeira safra foi a menor dos últimos quatro anos, pressionando os preços ao consumidor. Para o segundo semestre, a expectativa é de desaceleração desse movimento, à medida que a colheita da segunda safra amplie a oferta do produto”, explica.