Hiro Cozinha Japonesa aposta em ingredientes nobres, pescados regionais e combinações contemporâneas para diversificar o paladar dos recifenses. Fotos: Divulgação
A gastronomia japonesa vem conquistando cada vez mais espaço entre os recifenses — e o tradicional sushi de salmão está longe de ser a única possibilidade à mesa. Inaugurado em Setúbal, na Zona Sul do Recife, o Hiro Cozinha Japonesa aposta na diversidade de ingredientes para apresentar ao público sabores e produtos considerados nobres na culinária japonesa e internacional.

No cardápio, aparecem opções como hamachi japonês, conhecido como olhete, vieira canadense, enguia, uni — a gônada do ouriço-do-mar —, polvo, ovas de salmão, centolla e bluefin espanhol. A proposta é ampliar o repertório de quem já aprecia a gastronomia japonesa e, ao mesmo tempo, apresentar novos sabores a quem está começando a explorar esse universo.
Para Marcus Kanashiro, chef do restaurante, trabalhar com diferentes ingredientes também é uma forma de valorizar as características de cada produto. “O salmão se tornou muito popular no Brasil e foi importante para aproximar as pessoas da gastronomia japonesa, mas existe um universo muito maior de ingredientes para ser explorado. O olhete, o bluefin, a vieira, o uni e a enguia, por exemplo, apresentam características completamente diferentes entre si. Nosso trabalho é respeitar cada ingrediente, valorizar suas particularidades e criar preparos que façam sentido para o paladar do público daqui”, explica.

Pescados regionais também ganham espaço
A diversidade, segundo o chef, não está apenas nos ingredientes importados. O Hiro também valoriza pescados regionais, como robalo, cioba, pargo, xaréu e olhete nacional. Por serem sazonais, esses peixes não permanecem necessariamente de forma fixa no cardápio, mas entram nas opções da casa de acordo com a disponibilidade e a qualidade do pescado.
“São peixes frescos, saborosos e nutritivos que o nosso mar oferece”, destaca Kanashiro, que chama atenção ainda para os cuidados necessários no preparo de pescados crus.
Segundo ele, armazenamento, temperatura e técnicas adequadas são fundamentais para preservar a qualidade dos ingredientes. “Manter peixes e frutos do mar sempre na temperatura adequada e evitar contaminação cruzada é muito importante. As facas devem ser bem afiadas e os cortes precisos, respeitando a textura e a estrutura de cada ingrediente. O arroz deve ter cozimento, temperatura, textura e equilíbrio corretos entre vinagre, açúcar e sal; e os ingredientes crus devem permanecer refrigerados até o momento do preparo e serviço”, alerta.

Culinária japonesa com identidade própria
A proposta do Hiro também passa por criações que aproximam a cozinha japonesa de outras tradições gastronômicas. Um exemplo é o Adele Maguro, tartar de atum finalizado com pimenta-síria e zaatar, em referência ao Adele Cozinha Libanesa, primeiro restaurante do grupo.
“A ideia do Hiro nunca foi simplesmente reproduzir o que já existe. Queremos oferecer uma experiência japonesa contemporânea, mas que também tenha identidade e dialogue com a nossa história. É interessante mostrar ao cliente que ele pode descobrir um novo ingrediente e, ao mesmo tempo, encontrar uma combinação que tenha alguma referência familiar”, afirma João Pedro César, sócio do restaurante.
A experiência se estende à cozinha quente e à coquetelaria. Entre os destaques está o Yakiniku Hiro, preparado com lâminas de wagyu em pedra aquecida, permitindo que o próprio cliente sele a carne à mesa. Na carta de drinques, ingredientes como matchá, yuzu, togarashi, wasabi e gengibre aparecem em criações desenvolvidas para acompanhar os pratos.
Ao apostar em ingredientes de diferentes origens, pescados regionais, técnicas tradicionais e combinações contemporâneas, o Hiro busca ampliar a percepção do público sobre a gastronomia japonesa. Mais do que o conhecido salmão, a proposta é mostrar que existe um universo de sabores para ser descoberto.