Especialista alerta para sinais como dor no peito, falta de ar e palpitações e reforça a importância de procurar atendimento diante de sintomas intensos ou repentinos. Imagem: Magnific
Nesta terça-feira (29), é celebrado o Dia Mundial do Coração, data que chama atenção para a conscientização sobre as doenças cardiovasculares, apontadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das principais causas de morte no mundo. No Brasil, o número de mortes por complicações cardíacas e circulatórias em 2026 já passa de 290 mil, segundo o Cardiômetro, ferramenta de monitoramento da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
Reconhecer os sinais de uma emergência cardiovascular pode ajudar a buscar atendimento mais rapidamente e reduzir o risco de complicações. Alguns sintomas que pedem atenção são: dor ou pressão no peito; falta de ar; palpitações; suor frio; náusea; tontura e mal-estar súbito.
Quando esses sinais aparecem de forma intensa, repentina ou diferente do habitual, a recomendação é buscar avaliação médica. “Na Cardiologia, a gente costuma dizer que ‘tempo é músculo’. Quanto mais tarde se chega ao diagnóstico e ao tratamento adequado de um paciente que está infartando, maior pode ser o dano ao coração e o risco de complicações”, explica o cardiologista Carlos Frederico, coordenador-geral da Cardiologia dos Hospitais Memorial Star e Memorial São José, da Rede D’Or.
Foi o que fez o gerente comercial Raony Lins, de 37 anos. Após um treino de musculação seguido de corrida, ele sentiu dor no peito, aceleração dos batimentos e falta de ar e procurou o Hospital Memorial São José, no Centro do Recife.
“Cheguei com essa dor no peito, apertei o botão da recepção e, com menos de cinco minutos, eu já estava em cima de uma maca, sendo atendido pelo cardiologista e pela equipe de enfermagem”, conta.
Ao chegar ao hospital, Raony foi direcionado para o fluxo de avaliação de pacientes com dor torácica. Na Rede D’Or, as emergências utilizam protocolos estruturados de atendimento para priorizar os casos de maior gravidade. A metodologia Smart Track prevê atendimento imediato para casos graves, enquanto pacientes classificados como de baixa complexidade recebem o primeiro atendimento médico em até 20 minutos.
No caso de Raony, a suspeita inicial de infarto foi descartada após a realização dos exames, e ele recebeu o diagnóstico de disfunção microvascular, alteração que afeta a circulação das pequenas artérias do coração. Desde então, passou a fazer acompanhamento médico na unidade e ajustou hábitos da rotina, como alimentação, atividade física, sono e controle do estresse. “Quando algo foge do normal, principalmente quando os sintomas são diferentes ou intensos, não vale a pena esperar para ver se vai passar. Procure atendimento médico”, aconselha Raony.
A importância da agilidade também aparece em um estudo do departamento de Cardiologia da Rede D’Or, apresentado no Congresso Internacional de Cardiologia Rede D’Or 2026. O levantamento analisou 4.921 pacientes com suspeita de infarto atendidos entre janeiro de 2025 e março de 2026, em 59 unidades da rede distribuídas por seis estados.
Nas unidades avaliadas, o intervalo médio entre a chegada do paciente com dor torácica e a realização do eletrocardiograma foi de cinco minutos, metade do limite de até 10 minutos estabelecido pelas diretrizes da American Heart Association (AHA).
O exame é uma das ferramentas utilizadas na avaliação inicial de pacientes com suspeita de evento coronariano agudo e ajuda a orientar a investigação e a definição do tratamento. “Ter fluxos bem definidos e uma estrutura preparada permite que a equipe consiga agir de forma coordenada diante de situações que exigem rapidez. O objetivo é reduzir atrasos, priorizar os casos de maior gravidade e oferecer o cuidado adequado para cada situação”, explica Carlos Frederico.