Nova classificação da OMS para a Síndrome de Burnout; o que isso significa

Especialista orienta como profissionais acometidos pela doença devem lidar com a situação

Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reformulou a classificação da síndrome de Burnout na CID-11 (Classificação Internacional de Doenças), conferindo-lhe um status mais abrangente e com maiores repercussões no bem-estar dos trabalhadores. A partir de janeiro de 2025, o Burnout deixou de ser considerado apenas uma resposta inadaptada ao trabalho e passou a ser descrito como um fenômeno ocupacional com disfunções físicas, emocionais e sociais significativas.

O professor do curso de Psicologia da Estácio, Danilo de Freitas Araújo, destaca que essa atualização permite uma compreensão mais precisa dos impactos do estresse ocupacional, facilitando a implementação de estratégias eficazes para prevenção e tratamento. “Dentro da nova descrição, temos mais parâmetros para avaliar o quanto um indivíduo foi afetado pelo estresse no trabalho e, assim, subsidiar a criação de ações que melhorem a dinâmica organizacional”, explica o especialista.

A síndrome de Burnout não se trata apenas de cansaço extremo, mas também de despersonalização, um estado no qual o indivíduo se torna apático e emocionalmente anestesiado em relação ao trabalho e à vida. Diferente do estresse crônico, que pode ser amenizado com descanso e recuperação, o Burnout exige uma intervenção mais estruturada, pois sua reversibilidade é muito mais complexa, conforme explica o professor.

Os principais fatores que contribuem para o Burnout incluem a monotonia no trabalho, falta de perspectivas de crescimento, reconhecimento insuficiente, pressão excessiva, sobrecarga de tarefas e assédio moral. De acordo com especialistas na área, algumas profissões são mais vulneráveis, como policiais, militares, professores, profissionais da saúde e trabalhadores submetidos a prazos rigorosos e metas exigentes.

Responsabilidades das empresas

Danilo de Freitas Araújo também ressalta que a prevenção deve ser um compromisso das empresas. “Em locais onde há preocupação com a qualidade de vida do trabalhador, os índices de Burnout são muito baixos ou inexistentes. Infelizmente, nem todas as organizações adotam essa abordagem, seja por falta de informação ou por priorizar exclusivamente a produtividade”, pontua.

Além disso, Danilo acrescenta. “Para minimizar os efeitos da síndrome, é essencial que as empresas promovam campanhas de conscientização, criem canais de comunicação seguros para os colaboradores expressarem seus anseios sem receios de represálias e disponibilizem suporte psicológico. O diálogo e a escuta ativa são fundamentais na prevenção. Espaços de integração e suporte, como a presença de psicólogos dentro das organizações, são iniciativas valiosas”, reforça.

Para combater essa realidade, Danilo de Freitas Araújo enfatiza a importância do autocuidado, “a prática regular de exercício físico, alimentação balanceada e sono adequado são fundamentais. Além disso, aos profissionais afetados pelo Burnout, busquem apoio especializado e, se necessário, acionem seus direitos trabalhistas para garantir melhores condições de trabalho”, finaliza.

Imagem: Reprodução/Freepik

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