Março Laranja conscientiza sobre a importância de construir estratégias para o enfrentamento ao bullying nas escolas através da educação socioemocional

Prática danosa pode deixar sequelas e ser pontapé para tragédias maiores

Março é o mês de conscientização a pais, alunos e educadores sobre um problema recorrente no ambiente escolar: o bullying. A prática, que consiste em agressões físicas e/ou psicológicas repetitivas, pode deixar marcas profundas no desenvolvimento psicológico, emocional e físico das vítimas, acompanhando-os ao longo da vida.

A ação acontece normalmente dentro do ambiente escolar, sendo um comportamento repetitivo que tem como função causar uma humilhação e agressão contra um grupo de pessoas ou alguém específico.

Os sinais de que uma criança pode estar sofrendo bullying podem aparecer por meio da mudança de comportamentos, como ficar mais retraída, se isolar, não querer ir para a escola, não querer comer, e também por meio de sintomas emocionais como chorar ou ficar irritada com mais frequência, sentir mais ansiedade, medo, dentre outros.

Segundo a consultora pedagógica e psicóloga da Hug Education, Yasmin Caldas, através da metodologia de educação socioemocional é possível que crianças e jovens desenvolvam competências emocionais para construírem relações interpessoais onde esteja presente o respeito pelas diferenças, acolhimento, compaixão e empatia. Dessa forma, o foco é trabalhar na base das relações, possibilitando que cada um desenvolva consciência emocional sobre aquilo que sente e como faz os outros se sentirem diante de posturas e atitudes no dia a dia.

 “A gente entende que se uma pessoa está praticando bullying, ela não está bem resolvida consigo, nem com suas demandas emocionais. Uma pessoa que consegue gerir suas frustrações, angústias e medos têm menos probabilidade de “descontar” no outro suas emoções não cuidadas. Por isso, é tão essencial cuidar das nossas emoções, quando estamos bem não temos a necessidade de jogar no outro, ou fazê-lo se sentir mal como uma forma de descarregar essas emoções”, comenta.

Geralmente, as vítimas do bullying costumam ser crianças e jovens mais tímidos, com dificuldades em se defender e de serem aceitas em grandes grupos. E justamente por não conseguirem reagir, as provocações continuam, se constituindo, então, em atitudes agressivas repetitivas.

Em casos mais graves e recorrentes, os episódios podem colaborar para o surgimento de transtornos psiquiátricos, como ansiedade e depressão, e em casos mais agravantes, levar até o suicídio. “A gente observa que é uma situação que ocorre muito por faixa etária, independente da região em que se encontra. Os adolescentes praticam mais o bullying entre si e de um jeito muito sutil. São os apelidos e a reprodução de comportamentos que, às vezes, eles nem percebem que estão ofendendo”, explica a consultora pedagógica.

Por isso é importante que na escola seja criado um ambiente de acolhimento para que crianças e jovens possam falar sobre como estão se sentindo e quais situações tem desencadeado essas emoções, sem se sentirem julgadas ou criticadas.

Através de formações com professores e aplicação de questionários em sala de aula é possível entender mais a realidade das escolas e colher dados para ações mais direcionadas. É nesse momento que os consultores pedagógicos percebem a forma como as crianças e adolescentes se relacionam uns com os outros e buscam intervir com ações pedagógicas, oficinas e atividades que envolvem reflexões sobre a situação vivenciada.

“As sequelas são para todos que estão envolvidos com o bullying. Ele interfere na autoestima, fazendo com que a vítima não sinta mais vontade de participar do ambiente escolar ou qualquer outro ambiente, já que também existe o cyberbullying que é praticado pela internet. As pessoas se sentem muito confortáveis de estarem em suas casas e falar o que elas quiserem que acham que não vão ser encontradas. Isso é crime e é preciso denunciar”, alerta a especialista.

As competências socioemocionais são tão importantes que são previstas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que apresenta, entre as suas competências gerais, características ligadas às atitudes e ao caráter. Sendo assim, para combater o bullying é importante que a escola proponha tanto medidas e ações de prevenção quanto de intervenção.

“A metodologia vai trabalhar a educação socioemocional, que na prática é a identificação das emoções, mas também aprender valores. É trabalhado a empatia, diálogo, comunicação não-violenta e é ensinado a se relacionar com outras pessoas, coisas que normalmente não se aprende. A Hug Education quer trazer uma nova visão de que se pode ficar com raiva ou ter emoções desagradáveis e fazer algo bom com isso, com uma comunicação sobre as emoções”, destaca Yasmin Caldas.

Por isso, é importante construir espaços de fala e acolhimento no ambiente escolar, onde os alunos aprendem a expressarem como se sentem diante de diversas situações cotidianas. Dessa forma, educação socioemocional pode ser um caminho nesse desenvolvimento de comportamentos mais construtivos e de não-violência, ampliando recursos e ferramentas que evitem situações como o bullying.

“O caminho é o diálogo. Entender que a rotina é importante, que os limites são importantes, é sinônimo de amor. Uma criança precisa ter essa previsibilidade do que vai acontecer na vida dela, porque se desde pequeno se faz isso, quando se torna adulto ela vai saber o que deve ser feito e o que deve ser evitado. O bullying é responsabilidade de todos. Caso presencie uma situação como essa é importante não ficar omisso e denunciar na escola para evitar tragédias maiores”, finaliza. 

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