Missa une liturgia sertaneja, poesia e forró no Parque Estadual João Câncio. Fotos: Alonso Laporte/ Missa do Vaqueiro 2019
No domingo do dia 27 de julho, o Sertão pernambucano se transforma mais uma vez em altar e palco com a realização da 55ª Missa do Vaqueiro de Serrita, um dos mais emblemáticos encontros de fé e cultura popular do país. Realizada no Parque Estadual João Câncio, a celebração começa às 8h, com a chegada dos vaqueiros de várias regiões do Nordeste. Às 9h, cavaleiros de couro e chapéu rasgam a caatinga no tradicional cortejo montado, seguido da missa campal presidida pelo Padre Antônio Maria.
Criado em 1970 pelo Padre João Câncio, com apoio incondicional de Luiz Gonzaga e o poeta Pedro Bandeira, o evento surgiu como uma homenagem a Raimundo Jacó, vaqueiro assassinado em circunstâncias misteriosas e primo de Gonzagão. Desde então, tornou-se símbolo da religiosidade sertaneja, da resistência cultural e da memória dos que vivem e morrem a cavalo no semiárido nordestino.
Ao lado da missa, a programação também é marcada por apresentações de artistas que representam a alma da música nordestina. Este ano, nomes como Chambinho do Acordeon, Fábio Carneirinho, Sarah Leandro, Gabi Cysneiros, Henrique Brandão, Daniel Gonzaga — filho de Gonzaguinha e neto de Luiz Gonzaga — e a veterana Anastácia dão o tom musical da celebração, junto ao tradicional Coral Aboios.
A liturgia sertaneja se completa com a presença de poetas e aboiadores como Chico Justino, Cícero Mendes, Fernando Aboiador, Zé Carlos do Pajeú, André Santos, Léo Aboiador e Antônio Santana, que entoam versos de devoção e saudade diante da multidão reunida.

Para Helena Câncio, presidente da Fundação Padre João Câncio e viúva do idealizador do evento, a missa é um gesto profundo de pertencimento e identidade: “É mais que uma celebração. É um ato de memória, justiça e comunhão. Cada aboio que ecoa no parque é um chamado para não esquecermos de quem somos”, afirma.
A realização é da Fundação Padre João Câncio, com apoio da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Serrita, da Diocese de Salgueiro, do Governo de Pernambuco, através da Empetur, Ministério da Cultura, além do patrocinador Antônio Souza.
Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco, a Missa do Vaqueiro reafirma, ano após ano, o poder simbólico da fé montada — onde o gado, o couro e o canto se encontram com o sagrado sob o céu do sertão.
Mais informações no instagram @missa_do_vaqueiro