Com descanso e diversão, também é possível estimular o cérebro das crianças de forma leve e prazerosa durante as férias escolares. Imagem: Freepik
As férias de julho são tradicionalmente vistas como uma pausa necessária para que as crianças descansem da rotina escolar. Mas, segundo o psicólogo e professor da Estácio, Thiago Lacerda, esse período também representa uma grande oportunidade para estimular o desenvolvimento cognitivo de forma natural, lúdica e divertida.
“As férias são momentos preciosos de descanso, mas o cérebro da criança continua em desenvolvimento e aprendizado mesmo fora da sala de aula”, explica o especialista. De acordo com Lacerda, manter o cérebro ativo evita uma queda no rendimento escolar após o retorno às aulas, além de promover um desenvolvimento mais integrado entre aprendizado e vida cotidiana.
Ele destaca que o aprendizado fora da sala de aula — vivido em família, nas brincadeiras ou em simples atividades do dia a dia — é tão valioso quanto o ensino formal.
Brincar também é aprender
Para manter a mente ativa sem perder o espírito das férias, Lacerda recomenda atividades lúdicas e interativas. Brincadeiras como jogo da memória, quebra-cabeças, montar blocos, inventar histórias ou dramatizar personagens são excelentes formas de exercitar habilidades como atenção, memória e criatividade.
“A criança também pode cozinhar com os pais, observar a natureza, plantar um feijão no algodão, desenhar o que vê. Tudo isso estimula funções cognitivas importantes de maneira leve e prazerosa”, orienta. Atividades simples como organizar brinquedos por categoria ou ajudar a planejar um passeio também contribuem para o desenvolvimento de lógica, planejamento e autonomia.
Equilíbrio é fundamental
No entanto, o psicólogo faz um alerta: estímulo em excesso pode ser prejudicial. “Crianças precisam de descanso, ócio criativo e liberdade para brincar sem objetivos definidos. Estímulos em excesso ou com rigidez podem gerar estresse, ansiedade ou até aversão ao aprendizado”, afirma Lacerda.
O segredo está no equilíbrio: oferecer experiências variadas, sem cobranças de desempenho e respeitando o ritmo da criança. “Férias saudáveis são aquelas que permitem equilíbrio entre movimento e pausa, ação e contemplação”, reforça.
Telas, leitura e redes sociais: como usar com moderação
Sobre o uso de tecnologia, Lacerda destaca que os jogos eletrônicos podem sim trazer benefícios, desde que usados com moderação e de acordo com a idade da criança. Eles ajudam na coordenação motora, resolução de problemas e atenção visual.
Já a leitura é considerada uma das atividades mais completas para o cérebro infantil. “Ela ativa imaginação, vocabulário, empatia e raciocínio”, aponta o professor. Quanto às redes sociais, o especialista recomenda cautela, especialmente para pré-adolescentes: “Elas influenciam o humor, a autoimagem e até o sono. Devem ser supervisionadas com critério”.
Como estimular em casa, sem transformar férias em escola
Para os pais que desejam manter os filhos mentalmente ativos sem transformar as férias em uma extensão da escola, Lacerda dá dicas práticas:
- – Estabeleça pequenas rotinas leves, como um “tempo da leitura” ou “hora do jogo”.
- – Disponibilize materiais criativos: papel, tintas, livros, jogos e brinquedos abertos à imaginação.
- – Inclua a criança em atividades da vida real: cozinhar, cuidar das plantas, organizar objetos ou planejar o fim de semana.
- – Dê autonomia para que ela escolha suas atividades entre boas opções.
- – Evite transformar tudo em tarefa educativa. “Brincar por brincar também é aprendizado”, enfatiza.
- – Reduza o uso de telas e promova momentos de conexão entre pais e filhos.