Apenas 17% dos profissionais brasileiros usam IA no dia a dia, mas quem domina a tecnologia já sai na frente, alerta especialista. Imagem: Freepik
A inteligência artificial (IA) deixou de ser tema exclusivo da ficção científica para se tornar parte estratégica do cotidiano profissional. Hoje, mais de 80% das empresas no mundo já utilizam a IA de alguma forma, segundo dados da consultoria Vention, e a tratam como elemento central para competitividade e inovação. No Brasil, cerca de 87% dos profissionais reconhecem o potencial da IA para o aprendizado de novas habilidades, mas apenas 17% afirmam utilizá-la diariamente no ambiente de trabalho.
Na avaliação de especialistas, esse descompasso revela uma janela de oportunidade para quem está se antecipando. “Profissionais que aprendem a usar a IA de forma estratégica ganham vantagem competitiva e ampliam sua produtividade. A tecnologia transforma o tempo em resultado”, afirma Rodrigo Pontes, CEO da Agência Pontes, especialista em inovação e marketing digital. “E essa constatação vale para praticamente todos os setores da economia”, completa.

Um exemplo claro é o setor da construção civil, historicamente pouco digitalizado. Embora ainda tímida, a presença da IA começa a se consolidar. Pesquisas apontam que 35% das empresas do setor já utilizam a tecnologia na gestão de projetos, e cerca de 74% das organizações AEC (Arquitetura, Engenharia e Construção) aplicam IA em ao menos uma etapa dos seus processos. A tecnologia contribui para a análise de terrenos, simulações de viabilidade, modelagens de layout e até para a previsão de custos, reduzindo desperdícios e agilizando tomadas de decisão.
Na medicina, os impactos são ainda mais expressivos. Algoritmos alimentados por grandes volumes de dados estão ajudando médicos a diagnosticar doenças com mais precisão e agilidade. Um estudo publicado na Nature Medicine revelou que sistemas de IA foram capazes de identificar câncer de mama com até 11% mais precisão do que radiologistas humanos em testes iniciais. Além dos diagnósticos, a IA tem sido usada para prever surtos epidemiológicos, otimizar rotinas hospitalares e indicar tratamentos mais eficazes com base em cruzamento de dados clínicos.
No setor jurídico, a transformação também já é sentida. Ferramentas de IA são utilizadas por escritórios e departamentos jurídicos para revisar contratos, pesquisar jurisprudências e até sugerir teses de defesa com base em históricos de decisões judiciais. Segundo levantamento da McKinsey & Company, até 23% das atividades exercidas por profissionais do Direito podem ser automatizadas com IA, especialmente tarefas repetitivas como elaboração de documentos e pesquisas legais. “A IA não substitui o olhar humano, mas fortalece o profissional que sabe aplicá-la com inteligência e propósito”, reforça Rodrigo Pontes.
Para o especialista, o mercado está sendo redesenhado por uma lógica em que a capacidade de adaptar-se à tecnologia será tão importante quanto o conhecimento técnico. “A inteligência artificial não vai eliminar os profissionais, mas vai destacar os que estiverem preparados para usá-la como aliada. O futuro não é da máquina ou do humano, é da parceria entre os dois”, conclui.