O envelhecimento da população brasileira traz um desafio silencioso e crescente, a osteoporose. A doença, que fragiliza os ossos e aumenta significativamente o risco de fraturas, avança sem sintomas aparentes e pode comprometer a mobilidade, a autonomia e a qualidade de vida. O problema é tão comum que especialistas a classificam como uma “epidemia silenciosa”, exigindo atenção redobrada tanto dos profissionais de saúde quanto da população. No mês de outubro, quando se celebra o Dia Mundial e Nacional da Osteoporose, 20 de outubro, o alerta ganha força e reforça a importância da prevenção como melhor forma de tratamento.
Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a osteoporose integra o grupo das doenças osteometabólicas e é uma das principais causas de fraturas em mulheres na pós-menopausa e em idosos. A entidade destaca que a doença muitas vezes só é descoberta após uma fratura causada por traumas leves, o que evidencia a necessidade do diagnóstico precoce. Dados epidemiológicos nacionais apontam que, em mulheres com mais de 50 anos, a prevalência de baixa densidade mineral óssea varia entre 7,9% e 16%. As diretrizes brasileiras para diagnóstico e tratamento da osteoporose reforçam que ela é uma das principais causas de internações e perda de independência funcional entre os idosos.

Para a ortopedista Dra. Etelvina Vaz, do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Recife (IOT), o maior erro é esperar que a doença apareça para agir. “O diagnóstico e a intervenção tardios fazem com que muitos pacientes vivam com sequelas irreversíveis. Prevenir é o melhor tratamento, mas isso exige consciência, exame adequado e ação antecipada”, destaca a médica, acrescentando que o maior desafio da osteoporose é seu caráter silencioso.
Muitos pacientes só descobrem a doença após uma fratura na coluna, no quadril ou no punho. O exame de densitometria óssea (DEXA) é o principal método de detecção da perda de densidade mineral e deve ser realizado regularmente em pessoas com fatores de risco. Quando o diagnóstico é tardio, o tratamento se torna mais complexo e as sequelas podem ser graves. Fraturas por fragilidade são um dos principais desfechos da doença: em idosos com fratura de fêmur, a mortalidade nos meses seguintes é alta, e muitos não voltam ao nível de mobilidade anterior.
Apesar disso, a prevenção é possível e eficaz. A Dra. Etelvina Vaz orienta a adoção de hábitos simples, como manter uma alimentação rica em cálcio e vitamina D, ter exposição solar moderada, praticar exercícios de sustentação e resistência muscular, e evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool. A médica alerta ainda que o uso prolongado de corticoides, comum em doenças reumáticas, pode acelerar a perda óssea e exige acompanhamento médico.
Outro ponto essencial é a prevenção de quedas, responsável por cerca de 90% das fraturas por fragilidade. Medidas simples, como instalar corrimãos, utilizar pisos antiderrapantes e garantir boa iluminação nos ambientes domésticos, reduzem drasticamente os riscos.
Nos casos em que a osteoporose já está presente, o tratamento inclui medicamentos que fortalecem os ossos, reabilitação e acompanhamento clínico para prevenir novas fraturas. “Não devemos esperar pela dor ou pela fratura. Cuidar dos ossos é um investimento em qualidade de vida e autonomia”, reforça a Dra. Etelvina Vaz.