Mergulho em águas rasas: ortopedista alerta para risco de lesões graves na coluna

Especialistas reforçam prevenção no verão e alertam que imprudência pode causar lesões medulares irreversíveis. Imagem: Freepik

Mergulhar de cabeça sem conhecer a profundidade da água é um dos principais fatores de risco para lesões graves na coluna vertebral. No período de calor, quando o lazer aquático aumenta, ortopedistas reforçam que segundos de imprudência podem causar sequelas irreversíveis. O mergulho em águas rasas é uma das principais causas de lesão medular no Brasil, especialmente no verão, quando aumenta o acesso a praias, rios, cachoeiras e piscinas.

A prática aparece como a quarta maior causa de lesão medular no país em tempo normal e pode chegar a ser a segunda maior causa durante a temporada de calor, ficando atrás apenas de acidentes automobilísticos. O ortopedista especialista em coluna do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Recife (IOT), Dr. Eduard Caraciolo, chama atenção para os perigos dessa prática popular em períodos de calor. “Mergulhar de cabeça em água cuja profundidade não foi verificada é uma das principais causas de trauma cervical em praias, rios e piscinas. A energia do impacto concentra-se na região do pescoço, podendo fraturar vértebras e lesionar a medula espinhal, com consequências graves e permanentes”, explica o médico.

Dr. Eduard Caraciolo alerta para o perigo de mergulhar em locais desconhecidos. Foto: Divulgação

A incidência de lesões medulares por mergulho em águas rasas é uma das principais causas de trauma na coluna — especialmente entre jovens. Segundo a Sociedade Brasileira de Coluna (SBC), esse tipo de lesão é uma das maiores causas de acometimento medular na estação, com incidência relevante em pessoas entre 10 e 30 anos.

A lesão ocorre quando o indivíduo mergulha sem saber a profundidade ou entra em águas turvas, levando a cabeça a colidir com o fundo. Esse impacto pode causar desde fraturas simples até deslocamentos vertebrais com comprometimento neurológico. Estudos internacionais apontam que a maioria dessas lesões atinge a coluna cervical, área responsável por proteger a medula que comanda funções motoras importantes.

O médico reforça que a prevenção é a melhor forma de evitar tragédias: “Antes de mergulhar, é essencial verificar a profundidade da água caminhando até sentir o fundo. Nunca entre de cabeça em locais pouco conhecidos ou rasos. Evite saltos em atrações naturais sem supervisão e dispense o consumo de álcool antes de qualquer atividade aquática.”

Além da prevenção, ele destaca que, em caso de acidente, não movimentar a vítima sem orientação profissional é crucial. “A manipulação incorreta de alguém com possível lesão na coluna pode agravar o quadro. A retirada da água deve ser feita com cuidado, mantendo a cabeça e o pescoço alinhados, e o atendimento médico deve ser acionado imediatamente”, orienta.

O alerta do IOT Recife destaca a importância de campanhas educativas focadas em esportes e lazer aquático, em especial para jovens e famílias que frequentam praias, rios e piscinas nesse período do ano, reforçando que a diversão não pode comprometer a saúde da coluna vertebral.

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