Entre tecnologia e propósito, NRF 2026 mostra como o varejo precisa evoluir

Maior evento do setor reúne lideranças mundiais e antecipa tendências que já impactam o comércio brasileiro

Desde domingo, Nova York é o centro das atenções do varejo mundial com a realização da NRF 2026 – Retail’s Big Show, maior feira global do setor. O evento reúne milhares de participantes de dezenas de países, entre CEOs, executivos, especialistas e marcas que ditam o ritmo das transformações no consumo, na tecnologia e na gestão de negócios. Mais do que lançamentos, a NRF é reconhecida por provocar reflexões estratégicas sobre o futuro do varejo, conectando inovação, comportamento do consumidor e propósito.

O Brasil marca presença com uma expressiva delegação de empresários e especialistas. Entre eles está Fátima Merlin, CEO da Connect Shopper, consultora e palestrante referência nacional em varejo e shopper experience. Presente na NRF’26, ela acompanha de perto as principais palestras e debates do evento. A Queridinha do Comércio (eu) conversou com Fátima Merlin, que compartilhou uma leitura clara e consistente dos dois primeiros dias da feira.

O que as palestras da NRF’26 estão revelando

Segundo Fátima, o primeiro grande alerta vindo dos palcos da NRF é que a atenção do consumidor virou commodity. Em um ambiente saturado de estímulos, as palestras reforçam que menos excesso e mais significado fazem a diferença. A tecnologia segue como protagonista, mas com um recado direto: o humano é o novo luxo. A Inteligência Artificial aparece como ferramenta de eficiência, mas incapaz de gerar sozinha confiança, lealdade e vínculo emocional.

Outro ponto recorrente nos debates é a ressignificação da loja física. Ela deixa de ser apenas um espaço de transação para se tornar um ambiente de emoção, relacionamento e construção de marca. As palestras também reforçam que a cultura hiperlocal ganha força, superando modelos padronizados e valorizando identidade, território e conexão real com as comunidades.

No segundo dia, a palavra-chave foi curadoria. Executivos globais destacaram que escolher bem é um ato de liderança. Tecnologia e automação sem critério apenas aceleram incoerências. O excesso gera ruído; a curadoria gera decisão. Para Fátima Merlin, o recado final é claro: o varejo do futuro não é IA ou humano, mas IA com critério, propósito e o humano no centro.

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