Alavancagem patrimonial no Brasil: por que ninguém ensina a usar dívida para enriquecer

Especialista explica como o uso estratégico do crédito pode transformar dívida em ferramenta de construção de patrimônio e redução da desigualdade financeira. Imagem: Freepik

A relação do brasileiro com o crédito ainda é marcada por desinformação e escolhas que comprometem o futuro financeiro. Enquanto grande parte da população utiliza a dívida para consumo imediato — troca de carro, financiamento de bens depreciáveis ou parcelamentos de curto prazo — os grandes patrimônios usam o crédito como ferramenta estratégica para multiplicar ativos e gerar renda no longo prazo. Essa diferença ajuda a explicar por que a desigualdade financeira no país se mantém tão elevada.

Segundo o especialista em consórcio imobiliário Guilherme de Carvalho, o problema não está na dívida em si, mas na forma como ela é utilizada. “Existe uma confusão generalizada entre dívida ruim e dívida estratégica. A primeira consome renda e não gera retorno. A segunda é planejada, tem custo controlado e é usada para aquisição de ativos que se valorizam ou produzem renda”, explica.

No Brasil, a cultura do consumo imediato e a falta de educação patrimonial fazem com que o crédito seja visto apenas como solução emergencial ou atalho para conquistas rápidas. Dados do Banco Central mostram que mais de 75% do endividamento das famílias está concentrado em modalidades de alto custo, como cartão de crédito e financiamentos tradicionais, o que limita a capacidade de investimento e perpetua ciclos de empobrecimento.
De acordo com Guilherme, a alavancagem patrimonial é uma prática comum entre investidores e famílias de alta renda, mas pouco debatida fora desse círculo. “Grandes patrimônios usam o crédito de forma inteligente, muitas vezes por meio de consórcios imobiliários ou estruturas de aquisição planejada, evitando juros elevados e mantendo liquidez para novos investimentos”, afirma.

A ausência desse debate no ensino formal e no cotidiano financeiro contribui para que a maioria dos brasileiros associe dívida apenas a risco e perda, sem compreender seu potencial estratégico. “Enquanto não houver uma mudança na forma como falamos de crédito, o brasileiro continuará trabalhando apenas para pagar dívidas, e não para construir patrimônio”, conclui o especialista.

O tema ganha relevância em um cenário de juros elevados e maior pressão sobre a renda das famílias, reforçando a urgência de ampliar o acesso à educação financeira e patrimonial no país.

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