Pesquisa aponta que mulheres são maioria entre concurseiros

Foto: Freepik

Censo dos Concursos 2025 indica crescimento da participação feminina em relação ao ano anterior; tecnologia ganha espaço na preparação para provas

Em 2025, as mulheres passaram a liderar o perfil dos concurseiros no Brasil. De acordo com o Censo dos Concursos 2025, organizado pelo Qconcursos, elas representam 50,69% dos candidatos — um avanço de cerca de 5,7% em relação ao ano anterior, enquanto a participação masculina recuou para 42,4%. O cenário acompanha a expansão do setor: foram registrados 9.581 concursos no período, um crescimento de 57% na comparação anual.

No Rio Grande do Norte, os números refletem a mesma tendência. Das 761.528 inscrições potiguares no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), 59% foram realizadas por mulheres, evidenciando uma mudança de comportamento associada à busca por estabilidade, progressão de carreira e maior autonomia financeira.

“A maior participação feminina nos concursos públicos reflete não apenas a busca por estabilidade, mas também um movimento consistente de ocupação de espaços historicamente masculinos. As mulheres têm investido cada vez mais em formação e preparação estratégica, mesmo diante de desafios como a sobrecarga de funções e desigualdades estruturais”, avalia Juliana de Almeida, docente do curso de Direito da Estácio.

O levantamento também aponta que o perfil dos candidatos está mais diverso. Embora ainda em menor proporção, há maior registro de identidades de gênero como homens e mulheres trans e pessoas não binárias, indicando avanços na representatividade e na compreensão do público que busca estabilidade por meio do serviço público.

Desafios estruturais persistem

Os dados evidenciam, no entanto, entraves estruturais. Quase 65% dos concurseiros investem menos de um salário-mínimo por ano na preparação, o que pode limitar o acesso a materiais e cursos de qualidade. Ainda assim, a tecnologia vem se consolidando como aliada nesse processo. Mais da metade dos candidatos (51,94%) já utiliza ferramentas de inteligência artificial nos estudos, principalmente para revisão e resolução de questões.

“O avanço feminino nos concursos ocorre apesar das desigualdades, não por causa delas. Quando a tecnologia e a inteligência artificial entram em cena, elas não apenas facilitam o estudo — elas reduzem barreiras históricas, ampliam o acesso e tornam a disputa mais justa para quem sempre precisou se esforçar mais para chegar até aqui”, completa a docente.

Além disso, concursos municipais passaram a liderar o número de editais, enquanto bancas como FGV e Cebraspe seguem entre as mais relevantes, desenhando um cenário marcado por maior diversidade, avanço feminino e novas estratégias de preparação.

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