Pacientes atendidos pelo Hemope apresentam menos sangramentos e uma vida cada vez mais próxima da normalidade. Imagem de prostooleh no Freepik
Celebrado nesta sexta-feira, 17 de abril, o Dia Mundial da Hemofilia reforça, em Pernambuco, uma nova realidade para pessoas que convivem com a doença: os avanços tecnológicos das medicações têm permitido mais autonomia, menos sangramentos e uma vida cada vez mais próxima da normalidade. Para marcar a data, o Hemope promove, a partir das 8h30, no Auditório Dr. Luiz Gonzaga dos Santos, no Hemocentro Recife, uma palestra com o tema “Avanços no Tratamento da Hemofilia e Qualidade de Vida”.
Referência no atendimento a pessoas com coagulopatias pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o Hemope acompanha atualmente 717 pacientes com hemofilia, sendo 593 com hemofilia A e 124 com hemofilia B. Entre eles, dezenas de adultos e crianças já se beneficiam das novas terapias disponíveis.
A mudança vem sendo percebida no dia a dia dos pacientes acompanhados na unidade hospitalar, que conseguem retomar atividades e conviver com a condição. “A evolução do tratamento tem sido fundamental para reduzir os episódios de sangramento e proporcionar mais independência aos pacientes. Isso impacta diretamente na qualidade de vida, inclusive no aspecto emocional e social”, destaca a enfermeira Ana Cláudia Ramos, do Ambulatório de Coagulopatias do Hemope.
Se antes a rotina desses pacientes era marcada por limitações severas e sangramentos frequentes, hoje o cenário é outro. Com a incorporação de tecnologias como os anticorpos monoclonais, a exemplo do emicizumabe, e a adoção da profilaxia como estratégia preventiva, os pacientes têm alcançado maior estabilidade clínica e qualidade de vida.
Entre as crianças, histórias de superação ilustram esse avanço. É o caso de Anthony Gabriel, de 4 anos, diagnosticado com hemofilia grave ainda nos primeiros meses de vida. Antes das novas terapias, a rotina de tratamento era marcada por sofrimento e dificuldade durante as infusões. “Era muito difícil. Teve dias de eu chegar ao hospital já chorando, porque sabia o quanto ele ia sofrer. Antony já chegou a ser furado mais de dez vezes numa única tentativa de acesso. Como mãe, era desesperador”, relembra Rita de Cássia. “Hoje é outra realidade. Ele pode brincar, correr, ter uma infância mais leve, e isso não tem preço.”
A hemofilia é uma doença genética caracterizada pela deficiência de fatores de coagulação do sangue, fator VIII na hemofilia A e fator IX na hemofilia B. O diagnóstico pode ocorrer ainda nos primeiros meses de vida, por meio de exames laboratoriais, sendo essencial para o início precoce do tratamento e prevenção de complicações.
Apesar de ainda não ter cura, os avanços terapêuticos vêm mudando significativamente o prognóstico da doença, permitindo que pacientes tenham uma vida mais ativa e produtiva.