Cresce debate sobre uso ético da Inteligência Artificial na educação básica

Recentemente, o Ministério da Educação concedeu orientações para as instituições de ensino. Foto: Divulgação

O avanço da inteligência artificial (IA) já faz parte do cotidiano de crianças e adolescentes, dentro e fora das salas de aula. Diante desse cenário, o debate sobre como integrar essas ferramentas ao ambiente escolar de forma responsável tem ganhado força, inclusive com orientações recentes do Ministério da Educação (MEC), que destacam a importância de um uso ético, crítico e consciente da tecnologia desde a educação básica.

Segundo as recomendações, apresentadas durante o webinário “IA na educação básica: caminhos para o currículo e a prática docente”, disponível no canal do Youtube do MEC, é importante que as escolas trabalhem não apenas o uso da inteligência artificial, mas também a compreensão sobre como essas tecnologias funcionam. A proposta inclui o desenvolvimento de competências como pensamento crítico, autonomia digital, responsabilidade no uso de dados e a capacidade de reconhecer limites e riscos das ferramentas.

Além disso,  as diretrizes reforçam que a incorporação da IA deve considerar aspectos como ética, transparência, proteção de dados e centralidade no ser humano, além de promover equidade no acesso às tecnologias educacionais. “Ou seja, a tecnologia deve servir como apoio, e não substituir o papel do professor ou o desenvolvimento integral dos estudantes”, explica Joselma Silva, Coordenadora de Tecnologia Educacional do Colégio Salesiano Recife.

Implementação
A profissional afirma que a IA já tem se instaurado cada vez mais na ementa das escolas. No Colégio Salesiano Recife, por exemplo, algumas iniciativas já vêm sendo colocadas em prática no dia a dia escolar, com foco principalmente na cidadania digital. A proposta é preparar os estudantes para compreender, questionar e utilizar a IA de maneira responsável no dia a dia.

“Esse trabalho tem acontecido de forma interdisciplinar, conectando diferentes áreas do conhecimento e promovendo reflexões sobre o uso das ferramentas digitais, por meio de aulas em parceria com outras disciplinas. A ideia é ampliar o olhar dos alunos, especialmente no que diz respeito à cidadania digital e ao pensamento crítico”, ressalta.

“Sempre que surge a oportunidade, a gente trabalha esses temas em sala. Explicamos o que é uma IA, como ela deve ser utilizada de forma consciente e ética, além de quais cuidados e limites precisam ser considerados. É um processo gradual, mas necessário, para formar estudantes mais conscientes e preparados para lidar com as transformações digitais, que estão cada vez mais frequentes”, complementa Joselma.

A equipe pedagógica e os educadores também participam de formações sobre o assunto, principalmente após o ECA Digital — iniciativa que atualiza e amplia o Estatuto da Criança e do Adolescente para o contexto das tecnologias digitais, abordando temas como segurança online, uso responsável da internet e proteção de dados. 

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