Ultraprocessados ocupam 18% da dieta dos potiguares

Foto: Divulgação

Associados a doenças crônicas, produtos impactam na saúde e devem ser evitados, orienta nutricionista

Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) identificou a presença de alimentos ultraprocessados na dieta da população em todos os 5.570 municípios brasileiros. No Rio Grande do Norte, esses produtos já representam 18,7% do consumo alimentar da população, com aumento de três pontos percentuais (21,2%) na capital. 

O levantamento também mostrou que o consumo varia entre os municípios. Em Parnamirim, os ultraprocessados representam 20,3% das calorias diárias, seguido por Mossoró (18,0%), Caicó (17,5%) e Extremoz (17,3%). Na outra ponta, Paraná e Jardim de Angicos registram os menores índices, com 13,2%.

Para Rodrigo Rüegg, docente de Nutrição da Estácio, esse cenário não surpreende. “O fato de esse padrão estar presente em praticamente todos os municípios mostra que não é mais um fenômeno localizado, mas estrutural, ligado ao sistema alimentar e ao ambiente em que vivemos”, afirma.

Segundo o nutricionista, fatores como praticidade, rotina acelerada e maior oferta de industrializados influenciam o aumento desse comportamento nos grandes centros urbanos. “Nesses locais, há maior presença de redes de fast-food, além da facilidade de acesso a comidas prontas. Por outro lado, o acesso a itens frescos pode ser limitado, especialmente em áreas periféricas”, explica. 

No entanto, esse padrão de consumo traz impactos a longo prazo. De acordo com o docente, os ultraprocessados apresentam um perfil nutricional desequilibrado e estão frequentemente relacionados ao diagnóstico de doenças crônicas, como obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, hipertensão e alguns tipos de câncer. “São alimentos ricos em açúcar, gordura, sódio e pobres em nutrientes. Além disso, são hiperpalatáveis, o que contribui para alterações metabólicas e desregulação da fome e saciedade, o que favorece o consumo excessivo”, destaca.

Diante disso, a recomendação é clara: reduzir ao máximo o consumo e buscar incluir mais ingredientes in natura na dieta, como hortaliças, frutas, grãos e leguminosas. Ou seja: descascar mais e desembalar menos. “O Guia Alimentar orienta evitar ultraprocessados. Quanto menor a participação desses produtos na dieta, melhor”, reforça.

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