Dor ao subir escadas pode ser alerta: desgaste nas articulações avança de forma silenciosa

Condromalácia pode comprometer joelhos, quadris e ombros, afetando jovens e adultos; diagnóstico precoce é essencial para preservar mobilidade e evitar evolução para artrose. Foto de Lindsay Henwood na Unsplash

A dor que aparece ao subir escadas, o desconforto ao agachar ou aquele incômodo persistente após atividades físicas podem ser sinais de um problema mais comum do que se imagina: a condromalácia, condição caracterizada pelo desgaste da cartilagem das articulações. Embora seja frequentemente associada ao joelho, especialmente à região da patela, a doença pode atingir outras áreas do corpo, como ombro e quadril, comprometendo a mobilidade e a qualidade de vida.

Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), a condromalácia integra o grupo de doenças do joelho relacionadas ao desgaste da cartilagem e à sobrecarga mecânica, frequentemente associadas à prática esportiva, desalinhamentos e movimentos repetitivos. A entidade destaca ainda que lesões e dores no joelho estão entre as principais queixas ortopédicas, especialmente entre jovens ativos e atletas amadores, reforçando a importância da atenção aos primeiros sinais.

De acordo com o ortopedista especialista em joelho do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Recife (IOT), Dr. Dilamar Pinto, a condromalácia costuma evoluir de forma silenciosa, com sintomas iniciais leves que muitas vezes são ignorados. “O paciente começa a sentir um desconforto discreto, principalmente em atividades do dia a dia, como subir escadas ou permanecer muito tempo sentado. Com o tempo, esse incômodo pode evoluir para dor mais intensa, sinalizando que a cartilagem já está sofrendo desgaste”, explica.

A cartilagem é responsável por reduzir o atrito entre os ossos e permitir movimentos suaves. Quando submetida a sobrecarga, desalinhamentos ou movimentos repetitivos, pode se deteriorar gradualmente. No joelho, a condromalácia patelar é a forma mais conhecida, mas o problema não se limita a essa articulação. “O mecanismo é o mesmo em diferentes partes do corpo. No ombro, pode estar associado a lesões do manguito rotador. No quadril, a impactos repetitivos e alterações biomecânicas. O que muda é a região afetada, mas a origem do problema segue o mesmo padrão”, destaca o especialista.

Fatores como sedentarismo, prática inadequada de exercícios, excesso de peso e alterações posturais aumentam o risco de desenvolvimento da condição. O retorno repentino à atividade física, sem preparo adequado, também contribui para o desgaste precoce das articulações , cenário comum entre os chamados “atletas de fim de semana”.

A SBOT reforça que o diagnóstico precoce e o tratamento conservador são fundamentais para evitar a progressão da doença para quadros degenerativos, como a artrose. Para o Dr. Dilamar Pinto, esse é um ponto-chave no cuidado com a saúde articular. “O maior erro não é sentir a dor, mas ignorar o que o corpo está sinalizando. Quando identificamos a condromalácia no início, conseguimos controlar o processo, aliviar os sintomas e preservar a estrutura articular”, afirma.

O tratamento, na maioria dos casos, envolve fisioterapia, fortalecimento muscular, correção de movimentos e orientação adequada das atividades físicas. A proposta é reduzir a sobrecarga na articulação e melhorar o alinhamento biomecânico, evitando a evolução para quadros mais graves.

Mais do que tratar a dor, o cuidado com a condromalácia está diretamente ligado à preservação da mobilidade ao longo da vida. “Quando o movimento é bem orientado, não estamos apenas aliviando o sintoma, mas protegendo a estrutura que sustenta o corpo diariamente. Isso faz toda a diferença na qualidade de vida”, conclui o especialista.

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