“Quem cuida de quem cuida?”: mães atípicas lidam com sobrecarga, isolamento e falta de apoio

Essas mulheres desempenham um papel excepcional ao cuidar de filhos com deficiências ou síndromes raras. Na foto, Cinthia Cardoso e seu filho Nuno/ Divulgação

O Dia das Mães é uma ocasião especial para homenagear todas as mães, mas também é um momento para reconhecer e apoiar aquelas que estão na linha de frente da maternidade atípica. São mulheres que desempenham um papel excepcional ao cuidar de filhos com deficiências ou síndromes raras, enfrentando desafios diários que, muitas vezes, passam despercebidos pela sociedade. 

As homenagens são justas e necessárias, mas não há muito o que se comemorar, trazendo à tona uma reflexão essencial: quem está cuidando delas? Os dados sobre a situação da maternidade em nosso país demonstram que ainda há muito para se avançar na direção do cuidado e da garantia de direitos para as mães.  

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maternidade atípica é chefiada por 86% de mães de filhos com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). De forma global, são 11 milhões de mulheres mães solo, sendo que 64% delas estão abaixo da linha de pobreza. No Brasil, cerca de 78% dos pais abandonam mães de crianças com deficiências antes dos filhos completarem 5 anos de vida, conforme o Instituto Baresi (2012).

Rotina 
A mãe atípica e também diretora da Clínica Nuno Desenvolvimento, que atende diariamente pessoas neurodivergentes, Cinthia Cardoso, explica que as tarefas diárias de cuidado, que deveriam ser naturalmente divididas entre pais e mães, recaem principalmente sobre essas mulheres. ”É uma rotina intensa, que inclui terapias, acompanhamento médico frequente, adaptações escolares, administração de medicações, além do trabalho doméstico e/ou fora de casa”, relata. 

É comum ouvir relatos de mães atípicas que desenvolvem sentimentos de derrota e desesperança que, somados à sobrecarga diária, acabam por levá-las ao desenvolvimento de doenças que afetam a saúde física e mental. “A sobrecarga não é apenas física, ela se traduz em sofrimento emocional crescente. Estima-se que cerca de 45% das mães brasileiras relatam diagnóstico de depressão ou ansiedade”, afirma. 

Caminhos
Cuidar de uma pessoa atípica exige tempo, estabilidade emocional e suporte, o que requer também uma responsabilidade coletiva. “Isso passa por ampliar o acesso a creches de qualidade, fortalecer políticas de saúde mental, garantir renda, promover vínculos comunitários, além de reconhecer que o cuidado também precisa ser cuidado”, ressalta Cinthia.

“Precisamos estruturar um sistema que compreenda que não há desenvolvimento saudável dessas pessoas sem o cuidado integral de quem cuida. Isto é, levando em conta as necessidades das mães”, reforça. 

O que as pessoas podem fazer para apoiar uma mãe ou uma família atípica? 
Para ajudar com atitudes simples no dia a dia, Cinthia, que também é psicopedagoga e analista de comportamento, dá algumas dicas para quem convive de perto com uma mãe e família atípica. “Ser gentil e oferecer escuta faz diferença. O simples fato de estar presente de alguma forma no dia a dia dessas pessoas, oferecendo apoio ou sendo apenas um bom ouvinte, poderá auxiliar muito”, recomenda.

Outras possibilidades estão em criar grupos de apoio para famílias atípicas e/ou pessoas atípicas na comunidade ou participar de debates em audiências públicas, conselhos, comitês municipais, estaduais e/ou nacionais que tratem do tema.

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