Baseada no livro de Caroline Arcari, animação estreia com temas ligados à autonomia corporal e proteção das crianças. Imagens: Divulgação
Em meio ao crescimento de produções audiovisuais voltadas à infância e ao fortalecimento dos debates sobre educação preventiva, a série de animação “Pipo e Fifi” estreou, esta semana, no Canal Futura. A obra apresenta ao público, em 15 episódios, temas importantes para crianças, pais e educadores. A produção adapta para o audiovisual o universo criado pela escritora e pedagoga Caroline Arcari e pela ilustradora Isabela Santos no livro homônimo. A exibição acontece de segunda a sexta-feira, às 10h, no Canal Futura e também está disponível gratuitamente no Globoplay.
Produzida pela Vilarejo Filmes e animada pelo Estúdio VIU CINE, a série tem direção e roteiro assinados por Caroline Arcari e Maria Julieta Jacob. Ao longo dos episódios, os personagens Pipo, Fifi, vovó Cléo e Gomes conduzem conversas sobre consentimento, limites, direitos das crianças, uso de telas, proteção e adultos de confiança a partir de situações cotidianas e acessíveis ao público infantil.
Com linguagem afetiva e visual acolhedor, a animação busca estimular o diálogo entre crianças e adultos. A proposta é transformar temas complexos em conversas possíveis, utilizando o entretenimento como ferramenta de educação e cuidado.
“Pipo e Fifi” conta com patrocínio da ANCINE, FSA e BRDE, além de incentivo do FUNCULTURA, FUNDARPE, Secretaria de Cultura e Governo de Pernambuco.

Episódios
- Meu corpo é só meu
Quando Fifi tenta puxar Gomes pelo rabo, o cachorro reage: não quer ser tocado assim. O gesto abre uma conversa sobre partes íntimas e autonomia corporal. Cléo explica, com afeto e clareza, que cada pessoa é dona do próprio corpo — mesmo sendo criança.
- Consentimento
Durante uma brincadeira de cosquinha, Fifi pede para parar — e Pipo insiste. Cléo transforma o conflito em lição: consentimento pode mudar, e o “não” precisa ser sempre respeitado. As crianças treinam formas de dizer não e aprendem a reconhecer limites.
- Dia de Praia
Pipo e Fifi saem correndo pelados para o mar. Cléo os chama — não para repreender, mas para explicar. O episódio distingue contextos privados e públicos sem moralismo, mostrando que não há nada de errado com o corpo, mas há momentos para cada situação.
- De onde vêm os bebês?
Pipo acha que bebês caem de avião. Fifi aposta na cegonha. Cléo desfaz os dois mitos com linguagem adaptada à infância, explicando gestação, parto e adoção. O consentimento aparece naturalmente, e fica claro que esse tipo de carinho é só para adultos.
- Um dia de chuva
Entediados, Pipo e Fifi clicam num pop-up disfarçado de sorteio e se deparam com conteúdo adulto. A reação de Cléo é acolhedora: a culpa não é deles. O episódio aborda a exposição acidental à pornografia e retoma as regras de segurança digital da família.
- Conselho Tutelar
A visita do conselheiro tutelar Otávio apavora Fifi e Gomes, que acham que serão presos. O mal-entendido vira oportunidade: Otávio explica que o Conselho Tutelar protege crianças, não as pune, e que qualquer uma pode pedir ajuda quando precisar.
- O que se faz no banheiro
Cléo flagra Pipo, Fifi e Gomes fazendo cuidados corporais na sala. Sem repreensão, ela explica que cuidar do corpo não é errado — mas pertence ao espaço privado. O episódio constrói noções saudáveis de intimidade sem culpa, com leveza e humor.
- Segredos
Pipo conta que uma colega sofre violência e foi orientada a não falar. Cléo ensina a diferença entre segredos bons e segredos perigosos — estes precisam ser compartilhados com adultos de confiança. Um episódio essencial para a prevenção do abuso.
- Meninos podem dançar
Pipo chega abalado: foi ridicularizado por dançar e chorar. Cléo acolhe seus sentimentos e desmonta estereótipos de gênero com exemplos reais. O episódio reforça que emoções não têm dono e que nenhum interesse pertence exclusivamente a um gênero.
- Empoderamento feminino
Um colega diz a Fifi que ser goleira não é coisa de menina. Cléo responde com sua própria história: de família numerosa à primeira prefeita negra de Vila Segura. O episódio trabalha a igualdade de gênero de forma concreta, narrativa e inspiradora.
- Pessoas de confiança
Surge a ideia de que adultos sempre devem ser obedecidos. Cléo intervém: nem todo adulto é automaticamente confiável. O episódio apresenta critérios práticos para identificar pessoas seguras e é um dos mais estratégicos na prevenção de violência
- Castigos físicos
Fifi repete uma frase comum sobre palmadas. Cléo não deixa passar: bater, humilhar e ameaçar crianças é errado e proibido por lei. O episódio confronta uma prática ainda naturalizada e oferece uma perspectiva baseada em direitos e limites saudáveis.
- O pezinho de jabuticaba
Pipo e Fifi quebram um vaso especial de Cléo e precisam lidar com culpa, medo e responsabilidade. O episódio acompanha o percurso até o pedido de desculpas e a reparação — mostrando que errar faz parte e que a forma de lidar com o erro é o que importa.
- Menstruação
Fifi ouve adultos falando sobre menstruação e não entende o que é. Cléo explica com naturalidade o funcionamento do corpo feminino e as mudanças da puberdade. Um episódio sem tabu, essencial para meninas que se aproximam dessa fase — e para meninos.
- Discando o 100
Numa brincadeira, Pipo confunde serviços de denúncia até Cléo explicar o Disque 100 — canal nacional para denunciar violações de direitos de crianças. Um fechamento poderoso: depois de aprender sobre corpo e direitos, as crianças recebem uma ferramenta de ação.
SERVIÇO:
Estreia: Dia 18/05 às 10h. Os episódios serão exibidos de segunda a sexta-feira. Cada dia, será exibido um novo episódio.
Onde: Canal Futura (e disponível no Globoplay)
Classificação: Livre