Em meio ao novo tarifaço de Trump, Pix cresce 49% no país e ganha centralidade ainda maior no Nordeste, enquanto mercado de cartões mantém expansão

Sistema do Banco Central se consolida como principal meio de pagamento no mercado nacional, em um cenário de expansão do setor de cartões e de debate internacional sobre infraestrutura financeira, analisa o Instituto Brasileiro de Finanças Digitais (IFD). Estados nordestinos estão entre os líderes na utilização desse tipo de operação.  Imagem de rawpixel.com no Magnific

O uso do Pix cresceu 49% no último ano e já atinge 7,37 bilhões de operações por mês, segundo pesquisa sobre meios de pagamentos e transferências do Banco Central. A título de comparação, o número de boletos emitidos pelas instituições financeiras é de 326,98 milhões mensais, volume que representa menos de 5% das transações realizadas por Pix no país. Os dados são do último levantamento divulgado pela autoridade monetária, no dia 30 de abril. No Nordeste, o cruzamento dessas informações com estudos de outras fontes aponta que alguns estados estão entre os líderes nacionais na utilização desse tipo de operação.

” O protagonismo do principal meio de pagamentos digitais do país voltou ao centro das discussões após a abertura de uma investigação comercial do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) , agência responsável por conduzir negociações comerciais com outros países”, destaca o presidente do Instituto Brasileiro de Finanças Digitais (IFD), Rodrigo de Abreu Pinto. A ofensiva norte-americana pode ter efeito a partir do dia 15 de julho, com taxação de 25% sobre as exportações brasileiras.

No Nordeste
Os números do Nordeste mostram um cenário em que o Pix ocupa uma centralidade ainda maior que no resto do Brasil.  Levantamento do Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira (FGVCemif), divulgado em 2025, mostra que Rio Grande do Norte (63,8%), Bahia (60,69%), Pernambuco (60,56%), Sergipe (59,62%) e Ceará (58,99%) figuram entre os estados com maior proporção de usuários do sistema , evidenciando o avanço da digitalização dos pagamentos e da inclusão financeira na região.

Esse crescimento também se reflete nas operações bancárias, no mercado regional. Em sua área de atuação, o Banco do Nordeste movimentou R$ 87 bilhões em transações via Pix em 2024, um aumento de 38% em relação ao ano anterior, com mais de 190 milhões de operações realizadas. Os números reforçam a consolidação do sistema como infraestrutura essencial para pessoas físicas, pequenos negócios e empresas nordestinas.  

Infraestrutura pública
“O Pix se consolidou como uma infraestrutura pública essencial ao incluir cerca de 70 milhões de brasileiros no sistema financeiro e transformar como o dinheiro circula pela economia. O Banco Central criou um sistema que hoje atende 96% da população adulta”, afirma Rodrigo de Abreu Pinto.

Dados da autoridade monetária indicam que o Pix, criado em novembro de 2020, já alcança cerca de 160 milhões de pessoas físicas e atinge picos de transações acima de 300 milhões de operações em 24 horas. Hoje, mais de 900 instituições no país permitem a realização do Pix, entre fintechs, instituições de pagamento e cooperativas.

A argumentação dos EUA contra o Pix foi formalizada no âmbito de uma investigação comercial aberta pelo governo Trump, ancorada na Seção 301 do Trade Act de 1974. O mecanismo, que permite ao governo investigar práticas consideradas desleais ou que possam impactar o comércio dos Estados Unidos, tem se concentrado no papel duplo do Banco Central como regulador e operador do sistema. O tema voltou a levantar polêmica na última semana e gerou reação imediata do governo federal na imprensa.

Para o presidente do IFD, a leitura ignora a natureza do modelo adotado no Brasil. “O Pix não foi desenhado para excluir o setor privado, mas para funcionar como um trilho sobre o qual bancos, fintechs e empresas de tecnologia possam desenvolver soluções”, afirma Rodrigo de Abreu.

Pix e cartões dividem mercado em expansão
Enquanto o Pix amplia sua participação nas transações do dia a dia, o mercado de cartões também mantém trajetória de crescimento no Brasil. Segundo a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), o setor de cartões de crédito, débito e pré-pagos deve crescer entre 9,5% e 11,5% em 2026, ultrapassando a marca de R$ 5 trilhões em volume transacionado.

O avanço do pagamento por aproximação e a digitalização do consumo têm sustentado a expansão das redes de cartões no país, que incluem empresas globais como Visa e Mastercard. Dados da Abecs também indicam que o índice de fraudes no setor caiu 23,8% nos últimos três anos, o que tem ajudado a manter o crescimento destes meios de pagamento.

De acordo com a Abecs, Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços, o uso dos cartões de crédito, débito e pré-pagos deve crescer entre 9,5% e 11,5% em 2026, em comparação com o ano passado, ultrapassando, pela primeira vez, a marca anual de R$ 5 trilhões em transações.

Apesar das facilidades do Pix, a popularização do pagamento por aproximação é uma das inovações que têm ajudado os cartões a continuarem  ganhando espaço no comportamento de consumo do brasileiro . Dados do Monitor de Fraudes da Abecs também mostram que o índice de fraudes por valor transacionado caiu 23,8% nos últimos três anos.

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