Antes de qualquer praça ganhar nome de herói ou qualquer prédio virar patrimônio tombado, alguém precisou viver ali, lutar ali, resistir ali. Muitas vezes esse alguém foi uma mulher, mas a história, como quase sempre faz, esqueceu de anotar o nome dela na placa. É essa lacuna que o 4º Prêmio de Jornalismo “Natal Sem Igual” quer provocar o jornalismo potiguar a preencher.
As inscrições para a nova edição, que tem como tema “Uma mulher fez história aqui”, estão abertas desde a última sexta-feira (21) e seguem até 21 de dezembro de 2026. O prêmio é realizado pela Quero Prosa, com apoio do Governo do Estado através da Lei Câmara Cascudo e incentivo da distribuidora Riograndense.
A proposta dessa edição é valorizar bairros, igrejas, monumentos, prédios, praças e outros bens que compõem o patrimônio material e imaterial da capital potiguar a partir da perspectiva da ligação desses espaços com a trajetória das mulheres que ajudaram a formar a identidade da cidade, mas que nem sempre entraram para os registros oficiais.
Não é exigido que a personagem tenha nascido na capital potiguar, apenas que sua atuação tenha vínculo comprovado com a história, a memória ou o patrimônio de Natal. “Ao estabelecer essa conexão entre personagens e lugares, o prêmio busca ampliar o conhecimento sobre a história da cidade e estimular uma compreensão do patrimônio como espaço de memória, pertencimento e identidade coletiva”, diz o edital do prêmio.
O jornalista, escritor e produtor cultural Octávio Santiago, coordenador do prêmio, acrescentou que, além de ampliar a visibilidade do protagonismo feminino na história da capital potiguar, a iniciativa também tem como objetivo “estimular a produção de conteúdos jornalísticos sobre o patrimônio histórico, arquitetônico e cultural de Natal”.
“A premiação é uma forma concreta de valorizar trabalhos jornalísticos que abordem o tema da preservação e difusão da memória da cidade, com foco, nesta edição, no protagonismo feminino”, afirmou.
De acordo com o edital, disponível no perfil do prêmio no Instagram (@concursojornalismodonatal), poderão concorrer pessoas físicas, brasileiras ou estrangeiras residentes no país, autoras ou coautoras de conteúdos jornalísticos publicados pela primeira vez entre 1º de janeiro e 20 de dezembro de 2026.
Os trabalhos deverão ser originais e de autoria do(s) participante(s), sendo vedada a inscrição de conteúdos que violem direitos autorais ou quaisquer direitos de terceiros. O prêmio distribuirá R$ 82 mil entre as seis categorias.
Em Texto, os valores são R$ 6 mil (1º lugar), R$ 4,5 mil (2º) e R$ 3 mil (3º), além de R$ 2,5 mil para o Prêmio Estudante. Em Vídeo, a distribuição é de R$ 7 mil, R$ 6 mil e R$ 5 mil para as três primeiras colocações, com R$ 3 mil para o Prêmio Estudante. Em Áudio, os valores são R$ 6 mil, R$ 4,5 mil e R$ 2,5 mil para o Prêmio Estudante.
Já a categoria Produto Especial – voltada a documentários, séries de reportagens, podcasts e projetos multimídia – premia com R$ 10 mil o primeiro colocado e R$ 8 mil o segundo. Há ainda os prêmios únicos de Jornalista Amigo do Patrimônio e Veículo de Comunicação Amigo do Patrimônio, cada um no valor de R$ 7 mil. Estes reconhecem trajetórias de profissionais e veículos que tenham se destacado pela contribuição contínua à valorização, preservação e difusão do patrimônio cultural.
As inscrições devem ser feitas através de formulário eletrônico e cada participante pode inscrever um trabalho por categoria, podendo concorrer em mais de uma. Os critérios de julgamento vão da aderência ao tema à qualidade da apuração, passando por contextualização histórica, diversidade de fontes e observância da ética jornalística.
Uma tradição que já rendeu boas histórias
Desde 2022, o prêmio vem costurando a relação entre jornalismo e memória urbana. A primeira edição teve como tema “Uma cidade com história pra contar”. Em 2023, o foco foi “Os caminhos da cidade”. Já a terceira edição, realizada em 2024, homenageou um dos bairros mais tradicionais da capital com o mote “Na Ribeira que resiste, muita história existe”.
Agora em 2026 é a vez de olhar para as mulheres que, mesmo sem estátuas ou ruas com seus nomes, ajudaram a erguer a contemporânea Natal.
O “Natal Sem Igual”, além de um concurso, se propõe a fazer um convite para transformar reportagem em memória e memória em pertencimento. Para o jornalismo local, é também a chance de provar, mais uma vez, que as melhores histórias da cidade muitas vezes estão à espera de quem se disponha a contá-las.