Foto: Coletivo Vozes Surdas
Com curadoria de Vinícius Scheffer, a mostra aborda a surdidade e a representação das identidades surdas através das artes visuais.
A exposição “Mostra Arte Surda” leva em torno de 80 obras ao Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC Dragão), a partir do dia 2 de setembro. Com curadoria de Vinícius Scheffer e Malu Dini, a mostra celebra um marco de representatividade da cultura surda, com cerca de 20 artistas surdos e sinalizantes de diversas regiões do país e da américa latina.
Ocupando o MAC Ceará por meio de edital interno, o projeto não se limita à contemplação estética: ele propõe um debate urgente sobre identidades e acessibilidade cultural. A exposição nasce para confrontar as barreiras linguísticas, estruturais e o preconceito que historicamente afastam as pessoas surdas e com deficiência de museus, teatros e cinemas, seja como público ou como realizadores culturais.
“A concepção desta edição busca valorizar a cultura visual surda, fundamentada na experiência atravessada pelas línguas de sinais, pelas múltiplas identidades e pelo manifesto de direito a ser surdo”, destaca o curador Vinícius Scheffer.
A mostra referência o conceitos do movimento internacional De’VIA (Deaf View/Image Art) ou Arte Surda, como pode ser lida para o Português, criado em 1989 nos Estados Unidos pelo movimento do Deafhood, traduzido como Surdidade, que servem como referência estética e política para a Arte produzida a partir da experiência surda.
Para o conceito curatorial, é observado três pontos essenciais para a discussão, o entendimento de língua enquanto pertencimento observado nas obras (como a representação das mãos em configurações de mãos e nas suas possibilidades de criação com os mundos); os direitos das pessoas surdas, presentes nas buscas e conquistas dos direitos linguísticos, de tradução, de poder ser surdo; e da pluralidade de identidades que são observadas nas pessoas surdas, apresentadas nesta mostra com obras que falam sobre as diversas camadas sociais e linguísticas que é ser surdo.
O projeto é fruto de um trabalho cuidadoso, atento à representatividade também nos bastidores da exposição. A mostra conta com pessoas surdas e não-surdas sinalizantes em sua equipe, com integrantes do Ceará e de São Paulo, ampliando conexões da comunidade surda em nível nacional, fortalecendo suas formas de produzir cultura e arte.
Programação diversa e conexão global
O público que visitar o MAC Ceará encontrará um ambiente plural e acessível. A programação reúne linguagens que vão desde a pintura, o desenho e a arte digital até exibições de vídeo-arte. Além das salas expositivas, será realizado o Seminário Arte Surda, que funcionará como uma plataforma formativa, promovendo feira, visitas mediadas em Libras e rodas de conversa com pesquisadores e artistas do campo das artes visuais surdas.
A escolha do segundo semestre de 2026 para a realização da mostra é estratégica. No mesmo período, Fortaleza se transformará na capital mundial dos estudos da língua de sinais ao sediar o COPELS (Congresso de Pesquisas e Estudos em Linguística da Libras). O encontro internacional terá pesquisadores e visitantes surdos de todo o mundo, consolidando o Ceará como uma cidade de referência em difusão artística e políticas públicas de acessibilidade linguística.
As atividades serão totalmente gratuitas e bilíngues (Libras/Português). O museu oferece recursos acessíveis via QR Code e plataforma digital, incluindo audiodescrição, textos em Libras e pranchas de comunicação alternativa. Visitas acompanhadas por arte-educador surdos poderão ser agendadas previamente com a equipe educativa de quarta a domingo.
Abertura: Quarta, 02 de setembro de 2026, 17h
Endereço: Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura – Rua Dragão do Mar, 81 – Praia de Iracema
Período em cartaz:
02 de setembro de 2026 a 04 de outubro de 2026
Horário de funcionamento:
Quarta a sábado – 9h às 19h (acesso até 18h30)
Domingo e feriados – 10h às 19h (acesso até 18h30)
Saiba mais em: @artesurda_mostra