Setembro Amarelo: escrever pode ajudar a organizar emoções e dar nome ao que sentimos

Escritora e facilitadora de escrita, Bruna Maciel, explica como exercícios simples podem transformar o papel em um espaço de expressão e autoconhecimento. Imagem: Magninfic

Nem sempre é fácil falar sobre aquilo que se sente. Ansiedade, tristeza, raiva, medo e até momentos de felicidade podem se misturar e ocupar espaço na cabeça sem que seja possível elaborar e encontrar palavras para explicar o que está acontecendo. Em meio às discussões do Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à valorização da vida, a escrita aparece como uma possibilidade simples de expressão e organização dos pensamentos e aliada aos demais cuidados da saúde mental. Para a escritora e facilitadora de escrita Bruna Maciel, o ato de escrever pode abrir espaço para observar experiências, acompanhar pensamentos e dar forma àquilo que ainda não havia sido formulado.

“A escrita não serve apenas para registrar aquilo que já sabemos ou pensamos. Muitas vezes, é durante o próprio ato de escrever que um pensamento se organiza, uma associação aparece ou encontramos palavras que ainda não tínhamos encontrado.  Escrever pode criar esse tempo de olhar para uma experiência de outro lugar, sem a obrigação de chegar imediatamente a uma resposta”, explica Bruna. Em seus acompanhamentos individuais em escrita, a escritora parte de diferentes propostas, perguntas e referências para construir, junto a cada pessoa, um percurso singular de escrita. O trabalho não substitui o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, mas pode existir como um espaço diferente, no qual a escrita permite pensar, lembrar, associar, imaginar e elaborar vivências.

Segundo Bruna, não é necessário saber escrever bem, ter experiência com literatura ou produzir textos elaborados. O mais importante é criar o hábito e escrever sem a preocupação de agradar, corrigir ou mostrar o resultado para alguém. Ela diz que em uma rotina marcada pelo excesso de estímulos e pela velocidade das informações, o ato de escrever à mão também cria uma experiência diferente daquela proporcionada pelo consumo rápido de conteúdos nas telas. “Quando escrevemos, precisamos parar, escolher palavras e sustentar uma ideia. Existe um tempo diferente nesse processo. E esse tempo pode ser importante para perceber o que estamos vivendo, sem a obrigação de encontrar uma resposta imediatamente”, afirma Bruna. Ela reforça que o exercício da escrita pode ser incorporado por pessoas de diferentes idades e em diferentes contextos, inclusive em escolas, empresas e instituições interessadas em estimular práticas de criatividade, expressão e bem-estar.

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