Protagonismo feminino em cargos de liderança e tecnologia

Presença de mulheres em projetos de robótica e cultura maker ajuda a ampliar o contato de jovens com a tecnologia. Fotos: Divulgação

Durante os meses de agosto e setembro, o Instituto MeMaker realiza atividades em três locais diferentes, no Recife, reunindo cerca de 60 alunos, distribuídos em turmas de aproximadamente 20 estudantes. Entre os participantes, cerca de um terço é formado por meninas. A presença feminina nas atividades acompanha um movimento de expansão da educação tecnológica e reforça a importância de aproximar jovens e adolescentes de áreas que historicamente tiveram menor participação das mulheres.

A discussão envolve o chamado STEM, sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. O conceito reúne áreas do conhecimento relacionadas à inovação, à resolução de problemas e ao desenvolvimento tecnológico. A robótica é uma das ferramentas utilizadas para estimular esse aprendizado na prática, permitindo que as estudantes desenvolvam projetos, testem soluções e trabalhem conceitos de diferentes disciplinas de forma integrada.

Um dos dados recentes sobre o tema vem da World Robot Olympiad, competição internacional de robótica voltada para jovens. Segundo o relatório anual da organização referente a 2025, mais de 175 mil estudantes participaram de atividades ligadas à robótica em mais de 100 países. O levantamento também apontou aumento na confiança dos participantes em relação às áreas de STEM após a experiência. Entre as meninas, esse crescimento chegou a 21%.

Os números ajudam a mostrar como experiências práticas com tecnologia podem contribuir não apenas para o desenvolvimento de habilidades técnicas, mas também para ampliar a confiança das meninas e fazer com que elas se reconheçam como possíveis criadoras e profissionais dessas áreas.

Para Monica Bouqvar, fundadora do Instituto MeMaker, o contato com a tecnologia precisa acontecer desde cedo para que as meninas possam enxergar novas possibilidades de aprendizado e atuação profissional. “Quando uma menina tem a oportunidade de construir, programar, testar e encontrar soluções para um problema, ela começa a perceber que também pode ocupar esse espaço. Quanto mais cedo elas tiverem contato com essas possibilidades, maiores serão as chances de se reconhecerem como protagonistas e futuras profissionais dessas áreas”, afirma Monica.

Segundo Tina Olofsson, coordenadora do MeMaker, a proposta do instituto é trabalhar a tecnologia por meio da experimentação, permitindo que os alunos aprendam enquanto desenvolvem projetos e buscam soluções para diferentes desafios. A robótica, nesse contexto, é utilizada como uma ferramenta para estimular criatividade, raciocínio lógico, autonomia, colaboração e capacidade de transformar ideias em projetos concretos. “A gente percebe que, quando encontram um ambiente em que podem experimentar sem medo de errar, as meninas demonstram muita criatividade e capacidade de resolver problemas. Muitas vezes, o que falta não é interesse, mas oportunidade e referência. Quando elas veem outras mulheres ocupando esses espaços, passam a entender que também podem estar ali”, destaca.

A representatividade também está presente na própria estrutura de liderança do Instituto. Atualmente, quatro mulheres ocupam posições de liderança no MeMaker: Monica Bouqvar (fundadora), Andrea Santos (gestora), Tina Olofsson (coordenadora) e Mariana Amorim (supervisora pedagógica). A presença dessas profissionais contribui para criar referências próximas para as estudantes e mostrar que a participação feminina, não somente na área tecnológica, também pode estar presente, de forma ampla, no ambiente profissional.

Entre as histórias que ajudam a mostrar esse movimento está a de Helena Leitão, 25 anos, ex-aluna do MeMaker, que fez o curso quando tinha apenas 16 anos. O contato com a tecnologia durante a adolescência despertou novas possibilidades de aprendizado e mostrou que a área poderia ser também um espaço de criação e desenvolvimento pessoal. “Quando comecei a ter contato com a tecnologia, percebi que não era só aprender a mexer em computadores ou construir alguma coisa. Era poder ter uma ideia e transformar essa ideia em algo que realmente funciona. Isso me fez perceber que também posso criar e participar desse universo”, conta Helena.

A trajetória de Helena exemplifica como o contato com a robótica e a cultura maker pode produzir efeitos que vão além do período em sala de aula. Ao experimentar diferentes ferramentas e participar da construção de projetos, as estudantes são estimuladas a desenvolver autonomia e confiança para buscar novas soluções e possibilidades.

Para Monica Bouqvar, ampliar a presença de meninas nessas atividades é parte de um processo que começa muito antes da escolha profissional. Ao experimentar, criar e solucionar problemas, elas desenvolvem competências técnicas e, ao mesmo tempo, constroem confiança para ocupar espaços de inovação e tecnologia.

Compartilhe o post:

VEJA MAIS NOTÍCIAS

Como o pós-venda na construção civil transforma a entrega das chaves em uma relação de confiança e parceria

Foto: Divulgação No Dia do Cliente, MRV destaca ações que acompanham o comprador desde a assinatura do contrato até a vistoria, reforçando...

Protagonismo feminino em cargos de liderança e tecnologia

Presença de mulheres em projetos de robótica e cultura maker ajuda a ampliar o contato de jovens com a tecnologia. Fotos: Divulgação...

Corrida do Bem une esporte e solidariedade em outubro no Recife

Evento promovido pela Faculdade Universo e pela comunidade maçônica do Recife terá percursos de 5 km e 10 km e arrecadará alimentos...

plugins premium WordPress