Exposição de Pedro Índio entra nos últimos dias no Compaz Ariano Suassuna

Fotos: Ivelise Buarque

Quem ainda não visitou a exposição “Pernambuco: Folclore e Folguedos”, do artista Pedro Índio, tem até o próximo dia 17 de outubro para conhecer a mostra instalada na Galeria Pedra do Reino, no Compaz Ariano Suassuna, no bairro do Cordeiro, Zona Oeste do Recife. Com entrada gratuita, a exposição reúne pinturas inspiradas em algumas das mais representativas manifestações da cultura popular pernambucana e chega à reta final depois de ocupar o equipamento público desde o início de setembro.

Maracatu, frevo, pastoril, ciranda e outras expressões que atravessam a história e a identidade cultural de Pernambuco ganham cores, movimentos e personagens nas obras do artista. A mostra propõe um percurso pelas tradições populares do Estado e aproxima crianças, jovens, educadores, pesquisadores, moradores e visitantes de manifestações transmitidas entre gerações e mantidas vivas pelo trabalho de mestres, brincantes, grupos e comunidades.

Nas telas, Pedro Índio registra indumentárias, instrumentos, ritos, danças e personagens por meio de uma linguagem que transita entre o realismo e o simbolismo. Mais do que reproduzir cenas festivas, o artista busca evidenciar os sentidos históricos, sociais e afetivos dessas manifestações, ressaltando a cultura popular como patrimônio vivo, capaz de se transformar sem perder suas referências.

A exposição também contribui para explicar as diferenças e conexões entre folclore e folguedo. O primeiro reúne crenças, histórias, costumes, conhecimentos e modos de fazer compartilhados pelas comunidades, enquanto os folguedos materializam parte desse universo em manifestações coletivas que envolvem música, dança, representação, religiosidade, celebração e convivência.

Em Pernambuco, essas tradições carregam influências indígenas, africanas e europeias e permanecem em constante transformação. Ao ocupar um equipamento público voltado à cidadania e à convivência social, a exposição amplia o acesso às artes visuais e leva para o cotidiano das famílias um recorte da diversidade cultural pernambucana.

Pintor, escultor, entalhador, compositor e músico, Pedro Índio nasceu no Recife, vive em Olinda e é descendente do povo Fulni-ô, de Águas Belas, no Agreste pernambucano. Essa ligação com diferentes territórios e referências culturais atravessa sua produção artística, marcada pela pesquisa sobre raízes populares, memória, identidade e saberes tradicionais.

Para a curadora e gerente da Galeria Pedra do Reino, Ana Veloso, a exposição permite ao público reconhecer, por meio da arte, “a riqueza e a diversidade das tradições populares que permanecem vivas e se renovam no tempo”.

A reta final da mostra também reforça a discussão sobre a necessidade de preservar manifestações que enfrentam dificuldades para manter sedes, conservar acervos, renovar seus integrantes e garantir condições de trabalho aos mestres e brincantes. Ao transformar essas referências em pinturas e registros editoriais, Pedro Índio contribui para documentar práticas culturais que ultrapassam os períodos festivos e fazem parte da formação histórica e social de Pernambuco.

Das telas para o livro – A exposição está diretamente relacionada ao livro “Pernambuco: Folclore e Folguedos”, relançado durante a abertura da mostra, em 1º de setembro. A publicação reúne 35 obras de Pedro Índio e uma pesquisa sobre manifestações culturais pernambucanas, acompanhada por textos do historiador Antonio Campos.

Lançado originalmente em novembro de 2024, durante a Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto), o livro integra um projeto de circulação e valorização da cultura popular incentivado pela Lei Rouanet. A publicação reúne imagens e informações sobre manifestações como caboclinho, ciranda, frevo, pastoril e maracatu.

Direcionada a estudantes, professores, pesquisadores, turistas e leitores interessados na diversidade cultural do Estado, a obra também incorpora recursos de acessibilidade, com conteúdos em audiodescrição e material em inglês, ampliando o alcance para pessoas com deficiência visual e leitores estrangeiros.

Nos últimos dias da exposição, o público tem a oportunidade de fazer esse percurso entre arte, memória e pesquisa, observando nas telas manifestações que continuam ocupando ruas, terreiros, praças e comunidades pernambucanas. A mostra “Pernambuco: Folclore e Folguedos” permanece aberta à visitação gratuita até 17 de outubro, na Galeria Pedra do Reino, no Compaz Ariano Suassuna, no Cordeiro.

SERVIÇO
Exposição “Pernambuco: Folclore e Folguedos”, de Pedro Índio

Período: até 17 de outubro de 2026
Visitação: diariamente, das 9h às 17h
Local: Galeria Pedra do Reino — Compaz Ariano Suassuna
Endereço: Avenida General San Martin, 1.208, Cordeiro, Recife
Entrada gratuita

Compartilhe o post:

VEJA MAIS NOTÍCIAS

Espetáculo Musical São Amores leva drama, comédia e forró ao palco do Teatro São José, em Fortaleza

Num pequeno vilarejo litorâneo, lá pelo início dos anos 2000, a boleira Paulinha decide que fará o próprio bolo de casamento. Até...

Thaynara OG, Silvero Pereira Tânia Maria e outros famosos aderem à campanha Voto pro Senado

Foto: Divulgação Artistas e influenciadores gravaram vídeos para alertar que cada eleitor poderá escolher dois candidatos ao cargo nas eleições de 2026...

Exposição de Pedro Índio entra nos últimos dias no Compaz Ariano Suassuna

Fotos: Ivelise Buarque Quem ainda não visitou a exposição “Pernambuco: Folclore e Folguedos”, do artista Pedro Índio, tem até o próximo dia...

plugins premium WordPress