Mostra comemorativa reúne 20 artistas de diferentes gerações e linguagens para celebrar duas décadas da galeria como referência na cena contemporânea, conectando memória, reinvenção e diversidade artística no Recife Antigo. Imagens: Reprodução/ Divulgação. Na imagem: obra de Gessica Amorim
A arte, como o mundo, gira em ciclos e se renova, reinventa. De 12 de maio a 31 de julho de 2026, a Arte Plural Galeria (APG) abre suas portas numa exposição coletiva para celebrar esse marco de propósito e existência. Reviramundo comemora duas décadas da APG reunindo 20 artistas de diferentes gerações, linguagens e investigações poéticas: Adeildo Leite, Agda, Ana Lisboa, Anderson Sang, Blecaute, Cacá Mousinho, Daaniel Araújo, Danielly Guerra, Eduardo Nóbrega, Gerson Ipirajá, Géssica Amorim, Guto Oca, Hélia Scheppa, Lucas Elias, Luciano Pinheiro, Maurício Arraes, Mozart Santos, Nicolas Gondim, Priscila Buhr e Sebastião Pedrosa.
“Comemorar 20 anos da Arte Plural é um exercício de memória e projeção que articula a passagem do tempo como estímulo para redimensionar as noções de passado, presente e futuro a partir do entendimento da criação autoral como um campo de fluxo contínuo em constante reformulação. É perceber que as “tendências” do início do século XXI (quando a galeria foi inaugurada em 2005) foram substituídas até mesmo por aquilo que era considerado ultrapassado. A arte tem movimentos cíclicos, pois experimentos, temáticas, técnicas, estilos e inquietações podem retornar de novas formas a cada época”, descreve o curador Júlio Cavani.
A mostra traz um recorte de aproximações e correspondências entre obras, em diálogos que evidenciam a recorrência e a transformação de temas, técnicas e procedimentos ao longo do tempo. Um olhar que apresenta a prática artística como um campo contínuo, em constante reformulação, no qual diferentes temporalidades coexistem. Um convite à leitura que articula memória e projeção, em um exercício de reflexão sobre o presente e suas possibilidades futuras.
Não à toa, a exposição aberta ao público, assinala a trajetória da APG como espaço de convergência entre linguagens, tempos e sensibilidades, em diálogo constante entre diferentes perspectivas da produção contemporânea.

Fundada em maio de 2005 pelo galerista, fotógrafo e economista Fernando Neves, a Arte Plural é conhecida por apresentar novos talentos e nomes já consagrados, como Tiago Amorim, Roberto Ploeg, Maurício Arraes, Renato Valle, Rinaldo Silva, Roberto Lúcio, Suzana Azevedo, Ana Vaz, Antonio Mendes, Bete Gouveia, Gabriel Petribú, Maurício Arraes, Sebastião Pedrosa e muitos outros. Na vanguarda da valorização da fotografia, artistas que reconfiguraram narrativas visuais, como Alexandre Severo, Evandro Teixeira, Gustavo Bettini, Lia Lubambo, Francesco Zizola, Yeda Bezerra de Mello, Thomas Farkas, Hélia Scheppa Walter Firmo, Ricardo Labastier, além de abraçar movimentos importantes como o Vixi Marias – coletivo de mulheres fotógrafas…. E construiu uma trajetória de permanente e necessária ebulição cultural, graças ao olhar de grandes curadores como Raul Córdula, Simonetta Persichetti, Maria do Carmo Nino, Jomard Muniz de Brito e tantos outros.
Para além das centenas de exposições individuais e coletivas, acervo consistente de obras e artistas relevantes nacional e internacionalmente, o espaço se consolidou como formador de público, ponto de encontro entre os mais diversos perfis de apreciadores e colecionadores. Inserido no tecido cultural do Recife Antigo, seu casarão também se estabeleceu como um polo de difusão e plataforma viva de articulação e atravessamento cultural. Território onde a arte não apenas se expõe, mas se experimenta, criou eventos e projetos relevantes. No Roda de Conversa, abriu espaço para a tão necessária discussão sobre a arte fora dos gabinetes e ateliês, ouvindo pensadores e espectadores em direta troca. No Sarau Plural, sob a condução do jornalista e escritor Homero Fonseca, recebeu alguns dos principais escritores, dramaturgos, poetas de Pernambuco como Raimundo Carrero, Nagib Jorge Neto, Miró da Muribeca, Everardo Norões, Cida Pedrosa, Lucila Nogueira, Geninha da Rosa Borges, Valmir Jordão, Marco Polo Guimarães em 56 edições memoráveis que uniam a leitura de prosas e versos com música ao vivo, contando com o “auxílio luxuoso” de nomes como Geraldo Maia e Vinícius Sarmento. Com o Gerações Musicais, reuniu artistas de diferentes estilos e épocas, a exemplo do Quinteto Violado, Antúlio Madureira, Getúlio Cavalcanti, Maestro Spok, Nena Queiroga, Juliano Holanda, em experiências que entrelaçaram memória, contemporaneidade e a identidade da música pernambucana e brasileira.

Em Reviramundo, essa pluralidade segue derrubando limites e ampliando repertórios, reafirmando a maturidade da APG com o mesmo impulso e frescor inaugural: o de se reinventar continuamente, assumindo com autonomia e consciência o papel de agente ativo na construção da cena contemporânea, fiel à sua missão de estimular o pensamento crítico e ampliar os horizontes da experiência artística.
SERVIÇO:
Reviramundo – Exposição coletiva comemorativa pelos 20 anos da Arte Plural Galeria
De 12 de maio a 31 de julho
Aberta ao público
Arte Plural Galeria – Rua da Moeda, 140, Recife Antigo
