Especialista que atua em escola defende limites no uso de telas no restante do dia e maior equilíbrio entre mundo real e virtual. Imagem de pvproductions no Magnific
O avanço da tecnologia e a presença cada vez mais precoce de dispositivos digitais na rotina de crianças e adolescentes têm acendido um sinal de alerta entre especialistas em saúde mental. O tema vem ganhando espaço em escolas e famílias, especialmente diante do aumento de queixas relacionadas à ansiedade, dificuldade de concentração e mudanças no comportamento social entre os mais jovens.
De acordo com a psicóloga do Colégio Fazer Crescer e especialista em neuropsicologia, Marta Alves, o contexto atual representa um desafio inédito para pais e educadores. “Mesmo com a proibição de celulares nos colégios, o desafio é grande no restante do dia. Crianças e adolescentes já nasceram em um universo diferente do nosso. Gerações passadas tiveram a experiência na infância de brincadeiras livres como a principal fonte de entretenimento. Hoje, quem nasceu a partir de 2010, vive em um universo completamente diferente”, afirma.
Segundo a especialista, a forma como as crianças interagem com o mundo digital pode impactar diretamente o desenvolvimento cognitivo e emocional. “A gente precisa se atentar, porque toda essa rotina, essa cultura das telas vai moldar a maneira que as nossas funções vão se desenvolver. Esse é o principal alerta que a gente trabalha com os pais, para que possamos ter resultados diferentes”, destaca.

O debate sobre o uso excessivo de telas ganhou ainda mais força com a popularização do livro Geração Ansiosa, que discute os efeitos da hiperconectividade na infância e adolescência. A obra influenciou, inclusive, discussões recentes sobre a presença de celulares no ambiente escolar. “Ele traz dois conceitos importantes da geração atual: uma superproteção no mundo real e uma subproteção no mundo virtual. Batemos muito nessa tecla nas reuniões com as famílias”, explica Marta.
Para a psicóloga, o grande desafio está em evitar que as telas se tornem a principal fonte de entretenimento das crianças. A recomendação é que pais e responsáveis incentivem atividades ao ar livre, interações sociais presenciais e momentos de desconexão. “É sempre um grande desafio fazer com que a tela não ocupe esse lugar central, mas esse equilíbrio é fundamental para um desenvolvimento mais saudável”, conclui.