Coceira intensa é o principal sinal da alergia ocular, mas sintoma também pode favorecer o desenvolvimento da ceratocone
Quem nunca, durante uma crise alérgica, começou a coçar intensamente os olhos? Embora muitas pessoas associem as alergias apenas aos sintomas respiratórios, essa região também pode ser bastante afetada e, quando o problema não recebe o tratamento adequado, hábitos aparentemente inofensivos, como esfregar os olhos, podem provocar danos permanentes à visão.
Entre os dias 29 de junho e 5 de julho é lembrada a Semana Mundial da Alergia, campanha que busca conscientizar a população sobre a prevenção e o tratamento das doenças alérgicas. Quando falamos sobre os olhos, a alergia ocular surge como uma inflamação que acomete a superfície ocular e costuma ser desencadeada pelo contato com substâncias presentes no ambiente, como poeira, ácaros e poluição.
Segundo a oftalmologista Ana Carolina Collier, do Instituto de Olhos Recife (IOR), a coceira é o sinal mais característico. “O principal sintoma da alergia é a coceira, acompanhada, geralmente, do olho avermelhado. Não é aquele olho tão vermelho como na conjuntivite viral, por exemplo, mas é um olho que está sempre avermelhado e com o sintoma da coceira”, explica.
Reflexo que não vale a pena: o perigo de coçar os olhos
Embora pareça uma ação involuntária diante da irritação, esfregar os olhos repetidamente pode trazer consequências sérias para a saúde ocular. A especialista explica que a fricção constante pode favorecer o desenvolvimento de uma doença que afeta cerca de 150 mil brasileiros por ano, segundo o Ministério da Saúde: o ceratocone.
“Esse é o principal problema da coceira crônica. O ceratocone causa alteração na curvatura da córnea. Isso pode levar à baixa visão e, muitas vezes, exigir tratamento cirúrgico a longo prazo. Além disso, quando você coça o olho, pode arranhar a córnea e causar dificuldade visual”, alerta Ana Carolina Collier.
Poeira e poluição estão entre os principais desencadeantes
Ao contrário do que alguns imaginam, as alergias oculares nem sempre estão relacionadas à alimentação. Na maioria dos casos, os principais agentes desencadeantes estão presentes no ambiente. “Os principais fatores que desencadeiam as alergias oculares são realmente a poeira, os ácaros e a poluição do ar. Normalmente, não existe um agente específico, como um alimento”, explica a especialista.
Por isso, algumas medidas simples ajudam a reduzir as crises alérgicas, especialmente dentro de casa. “O que a gente pode fazer é manter a casa limpa, passando pano úmido no chão; evitar muitos bichos de pelúcia no quarto; e, para quem tem alergia e possui animais de estimação, impedir que o cachorro ou o gato durmam na cama, porque isso pode piorar o quadro alérgico”, orienta a oftalmologista.
Tratamento precoce ajuda a evitar complicações
Mesmo quando os sintomas parecem leves, a orientação é procurar avaliação especializada. Isso porque o tratamento específico para os olhos costuma oferecer melhores resultados do que apenas medicamentos para alergias de uso geral.
“Sempre que você tem um quadro de alergia ocular, deve procurar um oftalmologista. As medicações sistêmicas ajudam, mas os colírios têm um efeito muito maior no tratamento da alergia ocular”, diz Ana Carolina Collier. “Quando são casos mais graves, precisamos de acompanhamento conjunto com um alergologista, porque, às vezes, é necessário utilizar medicações sistêmicas. Mas, na maior parte das vezes, o tratamento é feito com colírios e orientações para evitar os fatores externos”, complementa.